Absentia, 2011

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★★★★★

Depois de assistir “Hush- A Morte Ouve” e “O Espelho” me interessei bastante pelo trabalho do jovem diretor Mike Flanagan. Em uma gravação de podcast, a querida Angélica Hellish do Masmorracast recomendou aos participantes o longa “Absentia”, de 2011, primeiro longa do Mike. Então eu não poderia começar essa crítica de outra forma que não seja agradecendo minha amiga pela experiência cinematográfica que ela me proporcionou através da sua indicação. Muito obrigado Angel!

Se discutia bastante, há algum tempo, sobre a qualidade dos filmes de terror e a mesmice do processo criativo para criar a atmosfera do medo. No entanto, parece que alguns festivais de cinema apostaram suas fichas no terror e, alguns casos específicos, se tornaram de fácil acesso do grande público. Mesmo que muitos não tenham compreendido a proposta, como é o caso famoso de “A Bruxa“, é impossível negar que andou aparecendo coisas no cinema que ultrapassaram alguns limites impostos pelo gênero e até mesmo utilizaram o clichê ao seu favor.

Um nome, ainda desconhecido, que vêm demonstrando um talento extraordinário é o Mike FlanaganCom apenas 37 anos, ele parece ser uma grande aposta para o futuro, pois consegue transformar algo simples em verdadeiras preciosidades, muito por conta da sua ousadia em lidar com alguns elementos técnicos ao seu favor, como o som. Escrevi na crítica de “Hush- A Morte Ouve” sobre a importância do som no filme, então me senti bem mais familiarizado quando me deparei com o seu primeiro longa, “Absentia” que abusa das ausências e distorções para compor uma atmosfera, no mínimo, claustrofóbica.

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“Absentia” começa nos apresentando uma personagem chamada Tricia, ela está colando diversos avisos nos postes do bairro e, no desenrolar, sabemos que se trata do seu marido, que está desaparecido há sete anos. Essa personagem esta vulnerável emocionalmente por causa desse desaparecimento, é visível desde os primeiros vinte minutos. Isso sem contar a gravidez, que a mantém ainda mais isolada do mundo e a centraliza nos problemas e preocupações. Mesmo o filme sendo de baixo orçamento, é possível perceber muita atenção com os detalhes e, principalmente, no uso do som para acrescentar veracidade à esses dilemas e medos que a personagem está vivendo. É tão desmesurado essa atmosfera fúnebre, que o filme poderia parar nesses problemas do desaparecimento, da vida solitária, etc, que já seria uma excelente obra; mas ele expande e caminha por outras direções.

“Absentia” atinge um nível ainda mais alto com a Callie, irmã da Tricia, que aparece na casa da irmã para ajudá-la com a gravidez e lhe fazer companhia. Essa irmã teve problemas com drogas e será a motivadora de algumas mudanças cruciais no filme.

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O terror começa a acontecer desde os primeiros minutos. Mas não se sabe ao certo o motivo. Após algumas explicações, a Tricia começa a ter algumas visões do seu marido dentro de casa. Mas o brilhantismo é a forma visceral, natural e até mesmo sutil, que essas aparições vão acontecendo. É tão incerto, que todos os objetos da casa parecem que assume formas assombrosas e prende a atenção do espectador, como se ele soubesse que algo terrível pode acontecer, mas não tem absolutamente nada gráfico! São sensações e uma angústia desconfortável que vão exigindo de quem assiste um alto grau de atenção, como se, aos poucos, fosse se sentindo desprotegido, assim como as duas irmãs.

Depois de assistir ao famoso “Corrente do Mal“, fica bem óbvio o quanto o som e músicas são importantes para criar a tensão. Em “Absentia” acontece o mesmo – lembrando que o filme é de 2011, ou seja, quatro anos antes – e, por incrível que pareça, a experiência é muito parecida. Os sons distorcidos, a brincadeira com sons diegéticos e não diegéticos – principalmente com Callie e seu fone de ouvido – contextualiza quem assiste na realidade sombria da cidade onde há desaparecimentos misteriosos.

Outro ponto interessante é que o filme não força o susto em nenhum momento, por vezes há uma ausência total de som, mas não como um artifício de acumulo de atenção para, posteriormente, assustar com um barulho enorme como na maioria das vezes. A ausência de som existe para situar-nos, também, na mente da personagem. Por diversas vezes Tricia está meditando e não há som algum, como se a moça estivesse em um outro universo. Essa ausência de ruídos dissipa os olhares, ponderamos a aparição de qualquer coisa, pois o corpo da personagem está ali, mas sua mente não, portanto, demonstra com perfeição mais uma vez a fragilidade que existe, despertando o inerente desejo de proteção.

O jovem diretor ainda nos proporciona momentos interessantes, quando por exemplo acompanha o olhar assustado da protagonista diante a uma escuridão e, aos poucos, “adentra” ele. Como se essa sombra estivesse possuindo as pessoas e cidade, assim como o próprio túnel – lugar chave dos inúmeros desaparecimentos da cidade -, que surge e é trabalhado de forma extremamente assustadora, se tornando um elemento a parte que, só de olhar, provoca desespero.

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Nas primeiras imagens reforça a ideia da grandiosidade do túnel. Parece que “suga” Callie e a transforma em prisioneira. No entanto a luz em sua cabeça, parece ser um indício da sua inconformidade e força. O túnel poderia representar, literalmente, o mal. E diversos males do mundo, como o próprio desaparecimento ou o vício. Mas são pontos a ser discutidos, o fato é que “Absentia” é uma obra espetacular, que investe pesadamente no clima e usa todos os artifícios técnicos a favor de uma empatia e preocupação com os personagens.

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No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

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