Hush – A Morte Ouve, 2016

hush

★★★★

O meu apreço por filmes de terror/suspense/thriller vai muito além do entretenimento. Desde criança me divirto com fantasmas, mundos destruídos, monstros, assombrações, mas acima de qualquer sensação penso que eu sempre tive uma curiosidade em compreender o medo. Sempre achei fascinante o nosso instinto de proteção ou até mesmo o horror do desconhecido, que vão desde situações novas até o próprio escuro.

Alguns filmes de terror conseguem transitar por entre o clichê e utilizar todos os artifícios já criados ao seu favor. É o caso do excelente “Corrente do Mal“, lançado ano passado. Isso mostra não só a força do gênero, como também a realidade: os filmes de terror possibilitam ao diretor, através do medo e apreensão, refletir sobre diversos aspectos da psicologia humana.

“Hush – A Morte Ouve” foi lançado pela Netflix – plataforma que vem surpreendendo bastante com os seus filmes – e, rapidamente, ganhou bastante estrelas no site. O filme conta a história de uma escritora Maddie que tem problemas de audição e vive em uma casa bem afastada da cidade. Em uma noite um assassino aparece e mata a sua amiga e, percebendo a indiferença de Maddie – pois ela não escuta o barulho nem percebe a presença do assassino – ele começa a fazer um jogo psicológico com a escritora até, de fato, matá-la.

Vale ressaltar que esse jogo psicológico, de certa forma, também existem em outros filmes, como exemplo cito o “A Invasora”, filme francês de 2007. Mas o diretor Mike Flanagan – que dirigiu outro bom filme chamado “O Espelho” – se preocupa com um detalhe que irá ser crucial para criar tensão: o som. A protagonista tem problemas de audição desde a infância, se comunica com a sua amiga por sinais e o espectador, desde o início, precisa se encaixar no estilo de vida silencioso da escritora. No entanto, os barulhos exteriores causado por ela – como pratos, celular etc – são ouvidos, ou seja, quem assiste o filme conhece os sons e a protagonista não. Quando ela está inserida em uma situação de sobrevivência, conseguimos antever as ações do assassino antes da protagonista, tão somente por causa dos barulhos. Além do mais, o pensamento imediato é que ela é inferior a ameaça, o que vai ser crucial para provocar o medo.

Nesse ponto, a edição de som é muito oportuna, por vezes fica distorcido, como se estivéssemos em plena viagem até nos transformarmos na isca, junto com Maddie.

Maddie é uma personagem tão forte que as suas limitações, no fim do segundo ato e terceiro, passam a ser um mero detalhe. A sua reação é de uma força inacreditável, nesse ponto o trabalho da lindíssima Kate Siegel é impecável, percorre momentos de medo mas sempre com uma segurança que conforta em momentos onde a tensão atinge níveis bem altos. O que era para ser um ataque fácil, vira uma guerra.

Kate Siegel assume, também, o roteiro. Bem realizado até o final, depois começamos a sentir uma pressa para terminar o filme e os acontecimentos se tornam bem artificiais. Felizmente a conclusão não apaga totalmente a brilhante construção da tensão e “Hush” é mais um bom representante do gênero thriller.

emersontlima

No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

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