Horror Hotel, 1960

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★★★★

Dirigido pelo argentino John Llewellyn Moxey, “The City of the Dead” é do mesmo ano de outro clássico do suspense: “Psicose“. Poderia ser loucura da minha parte comparar a qualidade dos dois, no entanto ouso afirmar que ambos mantém o mesmo nível – mesmo que isso possa causar confusão, pois os clássicos geralmente são intocáveis – mas tracei uma comparação óbvia entre a narrativa desses dois filmes.

“The City of the Dead” ou “Horror Hotel” traz a história de uma cidade chamada Whitewood que, em 1692, foi amaldiçoada por uma bruxa enquanto ela queimava em um fogueira. A bruxa e o seu amante serviam a lúcifer, a partir de então, conta a lenda, a cidade permaneceu aos cuidados de satanás.

Centenas de anos depois, acompanhamos um professor sinistro – interpretado pelo sempre magnífico Christopher Lee – de bruxaria. Ele recomenda a uma de suas alunas, aparentemente a mais exemplar e curiosa sobre o tema obscuro, que visite a cidade de Whitewood para fins de pesquisar e sentir o clima de um lugar que permanece até a atualidade amaldiçoada.

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Esse é um exemplo incrível de filme que sabe trabalhar de forma sublime o mistério e a construção da tensão. O professor, até por conta da excelente performance de Lee, parece um porteiro do inferno, mandando a sua alma inocente ao submundo e ela, por sua vez, deixa a curiosidade consumir a razão.

Desde o início o tema “bruxaria” é trabalhado com cautela, é evidente uma preocupação em questionar a veracidade dos fatos, inclusive, apresentando personagens ao longo da trama que desconhecem ou simplesmente não acreditam em nada do que está sendo dito. Esse é um dos pontos chaves para o começo de uma viagem através do medo, transformando esse filme em uma pequena obra-prima clássica do terror. Inclusive, a utilização da protagonista se aproxima muito do, já citado, “Psicose”; É muito curioso a decisão do diretor em utilizar apenas uma personagem para ir na cidade, uma jornada solitária, o que acaba resultando em uma ótima performance e eleva o clima de tensão.

Nesse ponto, a atuação da belíssima Venetia Stevenson é muito importante, construindo uma personagem ( Nan Barlow ) que está preparada para embarcar nas emoções que, até então, só havia tido contato através de aulas e livros. O destaque fica mesmo com Patricia Jessel, sua atuação é tão excelente que consome todos os demais – não classifico como algo ruim, apenas uma constatação – que, aliado com a fotografia em preto e branco, uso inteligente das sombras, névoa e hotel com aspecto assombrado, surge desde o início como uma personagem ameaçadora, misteriosa, quase a representação fiel das intenções do longa.

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Com direito a um cenário impecável, no que diz respeito a provocação do medo – como um cemitério que não é usado há 200 anos – e frases como “essa cidade é do diabo”, esse filme é um dos melhores da história sobre bruxaria. Tem uma estrutura interessante e sabe utilizar-se de pequenos elementos para compor o suspense, sem contar que o desenvolvimento dos personagens, mesmo que a duração seja bem curta, é muito eficiente.

Um verdadeiro clássico, deveria servir de inspiração para os novos filmes de terror que esquecem todo o processo e se utilizam de artifícios fáceis para provocar o susto. Aqui temos mais um belo exemplo de que, mais do que susto, o pavor é provocado, antes de mais nada, pelo clima e, para se alcançar isso, é preciso uma boa história, ambientação macabra e boas atuações.

emersontlima

No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

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  • Elson

    Esse filme tá há anos no hd do meu computador, depois dessa crítica tão entusiasmada acho que vou dar uma chance pra ele.

    • Emerson Teixeira Lima

      Depois compartilhe a sua opinião! Abraço,