The Boy, 2015

the boy ( cronologia do acaso )

★★★★

The Boy surge com uma proposta desafiadora ao extremo: acompanhar a evolução da maldade através de um assassino em série. Baseado em um curta premiado, exibido em Sundance em 2012, acompanharemos a história do Ted Henley em uma trilogia. Esse primeiro ele tem 9 anos, nos próximos terá 14 e 18.

Essa ideia pode não parecer inédita, porém, se usar como base a narrativa contemplativa, perceberemos imediatamente que não se trata, necessariamente, de um filme de terror. Evidentemente o tema é assustador, afinal a criança é muito vinculada a bondade e verdade, acima de qualquer coisa, então essa ideia da maldade ser intrínseca a alguns seres ainda é alvo de muita contradição, curiosidade e, até mesmo, misticismo.

Ted Henley será desvendado em três filmes, nesse primeiro, “The Boy”, a única preocupação é investigar a normalidade de suas ações e, no mesmo tempo, anormalidade das suas interpretações do mundo, principalmente a despreocupação com a morte – visto que o menino mata vários animais na estrada -, no entanto, se por um lado temos um menino frágil e desprotegido, pois o seu pai vive bêbado e ausente, do outro nos surpreendemos em observar um ser independente que parece ter calculado com antecedência os seus passos.

O designer de som é brilhante nesse aspecto, pois dá ao filme uma densidade constante, contrastando com as ações do menino que, por mais que faça algumas “travessuras” em nenhum momento, no início, se compara com a profundidade do som. Parece que está acontecendo algo incrivelmente grande e, por consequência, invisível aos olhos.

A iluminação orgânica, cria uma atmosfera claustrofóbica, inclusive a fotografia avermelhada faz uma clara referência ao inferno. Pelo fato do filme se passar todo em um motel afastado da grande cidade, o menino parece ter uma liberdade além do normal para alguém da sua idade e vivendo nos dias atuais, fazendo da estrada o seu palco, onde é um grande protagonista de filme de terror e os animais, coitados, os figurantes que serão mortos na primeira oportunidade.

Aquela paisagem hostil consome o protagonista. E o protagonista, por sua vez, aproveita as oportunidades para reinar e ser cruel. A sua naturalidade vai dando vez a um sentido de urgência em praticar aquilo que vinha treinando com tanta paciência, os minutos finais são arrebatadores, fazendo jus aos grandes clássicos do cinema onde existem crianças malvadas como em “The Bad Seed” de 1956.

Craig McNeil consegue em seu primeiro longa, fazer um filme realista, fugindo do caricato e sem preocupações de agradar um grande público. É o terror na sua essência, causando desconforto e reflexão sobre a própria iniciativa de praticar o mal.

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emersontlima

No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

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