Bone Tomahawk, 2015

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★★★★★

Cada dia que se passa eu me torno mais fã de faroestes, costumo dizer, inclusive, que esse gênero funciona para mim como um blockbuster, não por ser considerado um simples passatempo, muito pelo contrário, mas sim por me trazer a sensação de prazer mais natural que existe, me diverte. Traz as suas devidas profundidades, evidentemente, mas o que importa mesmo é a trajetória dos (anti) heróis.

No auge do faroeste houve muitas coisas excelentes, inúmeros ícones mas, no entanto, a produção foi diminuindo. Não quero alongar muito essa discussão, pois pretendo futuramente escrever um especial sobre, tudo nesse momento poderia ser resumido em: que bom que existe algumas pessoas que ainda trabalham com o gênero e revivem em mim sentimentos que tinha ao assistir os grandes clássicos do western.

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“Bone Tomahawk”, dirigido pelo S. Craig Zahler, um diretor novo e ousado, com felizes decisões já no seu trabalho de estréia, é uma mescla de alguns dos melhores trabalhos do Sergio Corbucci com Ruggero Deodato, não só pela história em si – que beira o extremo – como também, e é surpreendente constatar isso, na própria narrativa. Sem dúvida o diretor desenvolve uma belíssima homenagem aos nomes citados – e alguns outros – sem, em nenhum momento, parecer artificial.

O filme conta a história de um xerife, seu assistente e um pistoleiro que partem em busca de algumas pessoas que foram raptadas por uma tribo de canibais. Uma dessas pessoas é a esposa de Arthur um homem que está com a perna quebrada e faz questão de embarcar na viagem e, assim, encontrar a sua mulher.

O xerife, interpretado por Kurt Russell, faz o típico destemido, ajuda as pessoas e coloca essa obrigação acima de qualquer coisa, enquanto o seu assistente, Chicory, interpretado pelo excelente Richard Jenkins, assume a posição de personagem mais querido e chama a responsabilidade para si, oras servindo como alívio cômico, oras sendo profundo em suas colocações, em algumas delas direcionado a sua falecida esposa.

Se de um lado temos esses dois destaques, do outro Matthew Fox e Patrick Wilson dão um show. O segundo tem um maior destaque, compondo o personagem que será a representação da dificuldade daquela missão. A sua perna quebrada demonstra toda uma vulnerabilidade, essa figura de aspecto inquebrável, se vê em meio ao desespero por saber que aquela que mais ama corre perigo. A cada momento solitário ou gritos de dor por causa da perna, o espectador sente junto, aquela sensação de agonia e que, por vezes, beira a claustrofobia – mesmo que seja contraditório porque os personagens tem todo o espaço possível em suas mãos, porém, parece que conforme eles vão chegando perto do destino, esse mesmo espaço vai ficando estreito, inclusive a própria fotografia reforça essa sensação.

As cenas de violência ou gore acontecem de forma natural, sem ser preciso reforçar com algum artifício sonoro ou alguma montagem específica, enfim, o filme é maduro e consistente na intenção de surpreender com um bom desenvolvimento de diálogos e, ainda por cima, presenteia aqueles que gostam do terror. Ousado e muito bem realizado, “Bone Tomahawk” é, até agora, um dos melhores filmes do ano.

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emersontlima

No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

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