Goodnight Mommy, 2014

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★★★★★

Dirigido com maestria pelos estreantes Severin Fiala e Veronika Franz e produzido por ninguém menos do que Ulrich Seidl, “Goodnight Mommy” vem sendo bastante comparado com um outro filme de terror psicológico chamado “Babadook“, o que, ao que me parece, é justificado por se tratar de uma verdadeira exceção em meio a tantos filmes de terror que pecam justamente na construção da tensão.

“Goodnight Mommy” conquista desde a sinopse, contando a história dos irmãos gêmeos Lukas e Elias que, inclusive, são interpretado por atores com o mesmo nome, os dois estão a espera da sua mãe, que acaba de passar por uma cirurgia. Mas quando ela chega em casa, algumas atitudes e eventos levam os meninos a acreditarem na possibilidade de que aquela mulher cujo rosto está enfaixado não seja, na verdade, a mãe deles.

Além de brincar com a proximidade dos irmãos, o que é crucial para o entendimento por completo na conclusão da história, os diretores são felizes ao despertar uma curiosidade no espectador, de modo a querer compreender cada vez mais o que está se passando. Um ponto para atribuir isso é o elemento “mãe” que, por si só, representa um ser humano capaz de proteger qualquer um apenas – ou inicialmente – com o seu amor. A partir do momento que há essa quebra na segurança que nos move, cria-se uma tensão tremenda.

No inicio do longa temos uma canção que ilustra com perfeição o que virá a acontecer, essa relação com o próprio amor e afeto, que existe em cada um, nem que seja a dor da sua ausência. Logo após, um dos irmãos passa correndo por entre uma plantação e é atacado pelo irmão que cobre o seu rosto com uma máscara de um monstro. Aliás, é sublime a forma que os dois são apresentados e desenvolvidos ao longo do tempo, pois a natureza é utilizada como ligação dos dois. Eles brincam no barro, nas plantações, na chuva, jogam granito um no outro, são “livres” ou desprendidos de amarras tecnológicas – salve raros momentos.

Percebam, também, que durante quase todo filme eles estão de regata e, inclusive, de cores diferentes, sempre um escuro e o outro claro, independente da cor. Ora branco, ora amarelo, cinza e assim por diante, de forma a criar uma separação mesmo que eles sejam inseparáveis.

Até então, os garotos estão sozinhos(?) em casa, não temos contato com nenhum outro personagem, a não ser alguns pequenos momentos. Quando a mãe chega, temos uma outra proposta narrativa: compreender aquela figura fantasmagórica. A mãe aparece do nada e assim se mantém, completamente ausente, fria. É de se imaginar que algo estranho está acontecendo, bem como é estranho pensar que os meninos estão lidando de forma extremamente apática com aquela situação até então.

Uma das cenas mais interessantes para fisgar o enigma é o momento em que os três estão brincando, uma espécie de charada onde se cola um papel  na testa de alguém e essa pessoa tem que adivinhar o que está escrito ali. Um dos irmãos cola “mamãe” na testa de sua mãe e, no mesmo tempo que temos a oportunidade de conhecê-la melhor, também podemos perceber que a mesma não acerta, como se a realidade de estar diante dos filhos fosse inexistente ou, simplesmente, alguma coisa naquela brincadeira incomodasse os personagens.

O que prejudica a obra, um pouco, são algumas perguntas que surgem como artifício para se criar a dúvida mas que, ao descobrir do que se trata o filme, acaba sendo inútil, são dúvidas que não possui estrutura dentro do próprio roteiro, mas nada que tire o prazer de acompanhar esse mistério e se surpreender no final, mesmo que para muitos não seja tão inimaginável assim.

Destaque para a atuação da Susanne Wuest que mesmo com faixas no rosto consegue intimidar qualquer um com uma raiva fora do comum e, por causa dessa limitação, usa o corpo de forma excelente para compor a personagem. Os meninos estão maravilhosos também, a cena final é a prova disso.

A frase “onde está a mamãe” é dita várias vezes e, metaforicamente, nenhum dos personagens consegue responder. Há algumas vezes que esquecemos de quem somos ou quem fomos.

emersontlima

No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

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