NH10, 2015

nh10

★★★

O cinema indiano, também conhecido como Bollywood, merece ser analisado com atenção, visto que sua produção e narrativa traduz com perfeição o país, as circunstâncias que o povo vive e, até mesmo, a sua opinião sobre a arte. Então a música e dança é muito presente, as cores geralmente são bem vivas, destacando uma riqueza, um brilho, aparentemente exclusivo da Índia. Há também diversas preciosidades do trash, ainda assim ótimos filmes – para dar risadas, claro.

No meio de inúmeras obras, existe um ou outro que chama a atenção, que tenta alguns truques, critica o sistema de categorizar o ser humano, também conhecido como “castas” e, por consequência, o machismo, o abuso, superioridade, sexismo etc. Esse é o caso do recente “NH10”.

O filme conta a história de um casal que estão prestes a fazer uma viagem, na estrada se deparam com um grupo de homens humilhando/agredindo uma mulher, o marido fica extremamente indignado com a situação constrangedora e, pior, segue os homens pela estrada. Descobrindo mais sobre esse grupo, percebem se tratar de algo muito maior do que acharam e começam a ser perseguidos.

Um exemplo de Thriller de qualidade, os primeiros vinte minutos dão alguns indícios falsos sobre a trama, é lento, mas ao decorrer o espectador vai embarcando junto com aquele casal que parecem ser, mesmo com algumas trocas de carinho, totalmente diferente um do outro, essa postura distante dos dois serve como base para as primeiras questões do filme: tentar ajudar o próximo e raiva perante a superioridade do homem em relação a mulher.

Para aqueles que tem preconceito com a duração ou até mesmo a fórmula dos filmes indianos, não precisa se preocupar, esse é um exemplo interessante onde a narrativa norte-americana é muito bem homenageada. Há correria, há algumas tensões, reviravoltas, enfim, a crítica ainda complementa, dando um sabor de estranheza mas, se observarmos com atenção, são questões universais, principalmente relacionado a manipulação e violência.

O local que acontece boa parte da história é isolado, seco, desértico mas, quando aliado com o desespero dos protagonistas, a sensação que causa é um desconforto, beira a claustrofobia, parece uma rua sem saída, onde as ações só levam a armadilhas e decepções, não há como confiar em ninguém.

Mesmo com algumas falhas técnicas, o filme é realmente muito feliz em conseguir transmitir uma mensagem e, ainda por cima, cativar quem assiste, visto que no terceiro ato temos uma feliz mudança de postura, digna de palmas, aliás, a atuação da lindíssima Anushka Sharma é um dos pontos fortes para a veracidade do desespero que “NH10” nos causa.

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emersontlima

No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

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