The Nightmare, 2015

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★★★

Rodney Ascher fez em 2012 uma análise, em forma de documentário, do filme “O Iluminado” do Stanley Kubrick, ou seja, é necessário uma alta dose de paixão para fazer algo assim, ainda mais como em “Room 237” que traz diversas teorias interessantes, outras nem tanto, sobre o clássico do terror de 1980.

Rodney ainda se aventurou com um pequeno curta no “O ABC da Morte 2” e, enfim, chegamos ao seu esperado documentário “The Nightmare”, lançado no Festival de Sundance desse mesmo ano ( 2015 ).

A ansiedade em assistir era enorme, principalmente por causa do assunto que soa tão natural, enquanto analisado psicologicamente e, no mesmo tempo, extremamente misterioso pois, como escreverei a seguir, o tema é cercado e criado a partir das crenças, ou seja, a ideia do mal ou desconhecido ainda está muito atrelado ao demônio, mesmo com todos os avanços tecnológicos, esse medo primitivo ainda se revela muito  presente na vida do homem moderno, ainda que, por vezes, seja preciso um impulso do seu subconsciente, como é o caso da “paralisia do sono”.

Coloco “paralisia do sono” entre aspas, justamente pelo entendimento e crenças diferentes, a “paralisia do sono” remete-nos a uma maravilha/acontecimento bizarro da psicologia no qual o ser humano desperta durante o sonho REM e é nesse estágio do sono que o seu corpo fica imóvel para, assim, ter uma maior segurança diante aos possíveis reflexos que traduzem o mundo dos sonhos, ou seja, a pessoa acorda durante a noite e não consegue mexer o corpo. Estando praticamente em uma posição de “intruso” pois, de fato, era para estar sonhando, o sujeito começa a ter alucinações e visões dentro do seu próprio quarto ou onde quer que esteja, geralmente essas visões – mediante a crença de cada um – são relacionadas com demônios, sombras, enfim, criaturas pouco amigáveis, afinal, estamos falando, literalmente, de um pesadelo acordado.

O que acontece em seguida é o seguinte: a pessoa tenta mexer o corpo e pelo fato de estar imóvel, começa a sentir uma pressão no peito, é por esse motivo que existem várias culturas que atribuem esse evento a um demônio que fica em cima da barriga da pessoa ou até mesmo há quem diga que demônios transaram com eles na cama.

O documentário explora a história de algumas pessoas que passam/passaram por isso, cada um narra as suas histórias e, enquanto isso, é nos mostrado através de uma simulação, extremamente eficiente no que diz respeito ao uso das cores e dos sons, aproximando os espectadores das sensações que a paralisia traz ao indivíduo.

Existem algumas séries de terror com esse formato, aliás, se engana quem pensa que “The Nightmare” é um documentário que explicará cientificamente a paralisia do sono, o objetivo é, claramente, provocar o medo, abusando dessa ideia de vulnerabilidade que temos enquanto estamos dormindo.

A hipótese de que realmente exista algo sobrenatural nessas experiências é bem explícita ao longo dos 90 minutos, o que pode acabar causando um cansaço, repete várias vezes o mesmo formato, até chegar no real interesse que é compreender ou tentar a alucinação que cada um teve. Portanto, é curioso questionar o quanto a ciência pode nos explicar esses acontecimentos, no mesmo tempo que se existisse apenas um psicólogo no documentário já enriqueceria a discussão, por vezes eu acredito que a mente humana é mais assustadora do que inúmeros filmes de terror e provocar o medo com essa afirmação seria, ao menos para mim, muito mais interessante.

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emersontlima

No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

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