Cybernatural: terror no Skype, nova geração e a internet no cinema

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“Cybernatural” ou “Unfriended” despertou a curiosidade de todos, principalmente por se tratar de uma inovação, pelo menos assim o considero: um filme que seria basicamente a tela de um computador, onde amigos estão em conferência no Skype, e são seguidos por um “hacker” – começando no universo online – mas, aos poucos, vamos entendendo que essa pessoa tem relação com uma garota, amiga deles, que foi alvo de bullying e cyberbullying e, por esse motivo, cometeu suicídio.

Volto a afirmar, o filme é passado inteiramente via internet. É a gravação desse pânico, entre os garotos, filmados através de suas respectivas webcams, por isso teremos momentos em que trava o vídeo, atrasos, enfim, tudo para passar a maior veracidade possível e, já adianto, nesse ponto eles são perfeitos.

Primeiramente, desde que soube da existência desse estranho filme, eu sabia que ou a ideia era revolucionária ou um bom pontapé para um desastre total. (in)Felizmente o resultado fica no meio termo, com um pé a mais no desastre.

Mesclar a internet com o cinema é uma proposta muito interessante, há alguns filmes que abordam o mundo virtual ou mesmo o usam de forma mais profunda como em “Confiar” de 2011, mas como é feito nesse recente representante, eu nunca tinha visto. E que simplicidade não é mesmo? Se em 1980 tínhamos “Holocausto Canibal”, hoje temos isso. Dá até uma tristeza no coração.

Se tem uma coisa que me encantava nos filmes de terror clássicos dos anos 80 e 90 era aquele grupo de amigos, que enfrentavam o seus medos juntos, seja um monstro, um vampiro, enfim, um verdadeiro clube do terror. Esse nome, inclusive, me faz lembrar da série “Are You Afraid of the Dark?”, quem não se lembra dos garotos contando histórias de terror em torno da fogueira? Hoje em dia, se você botar um jovem sentado em torno da fogueira ele se queima, morre afogado no tédio, fica jogando no celular até acabar a bateria e depois reclama porque acabou a bateria. Engraçado, onde está a magia? Onde está o terror?

Será que o gênero terror está falhando bastante por causa disso, o medo está sendo esquecido, por conta das diversas informações que recebemos constantemente? Onde entra a internet nisso tudo? Será que ela beneficia o cinema, prejudica, o terror se torna mais difundido ou não? Mas será que realmente o que vale mesmo é o sucesso e ele tem que passar por cima até da qualidade?

“Cybernatural” é brilhante em levar a internet para o cinema, tudo é muito bem bolado, desde as abas abertas que a personagem deixa, como o Tumblr, música do Johnny Cash, Gmail, o Facebook, enfim, nós, espectadores, vemos somente a tela de uma personagem, então é por essas dicas, repito, ainda voltado para a Internet, que vamos descobrindo um pouco mais sobre a personalidade dela, pois o filme não tem esse propósito – infelizmente – é uma história com muito pouco desenvolvimento.

Quando começa a acontecer coisas estranhas, rapidamente pensei que é inválido, narrativamente, os personagens manterem os seus computadores ligados mesmo diante a iminente ameaça, porém minha própria mente me respondeu que o jovem de hoje – pelo menos os mostrados no filme – é curioso e acomodado ao máximo, ao ponto de não desgrudar a bunda da cadeira nem para pedir ajuda ou simplesmente sair na rua e reunir a galera para conversar sobre as coisas estranhas que estão acontecendo, essa geração não tem tempo para ter medo de fantasma, não por estarem ocupados, mas nem espíritos malignos podem atrapalhar as suas lindas e admiráveis vagabundagens.

Enfim, o filme não acrescenta muito, é divertidinho, passa o tempo, porém só serve mesmo como contraponto a lembrança nostálgica de amigos passando medo de forma compartilhada, isso sim era, de fato, uma revolução.

Obs: Terá sequências amiguinhos. Aproveitem, pois eu paro no primeiro.

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emersontlima

No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

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No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.
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  • Tadeu Nascimento

    Oi Emerson vim parar aqui por meio de um link do blog diário de um cinéfilo, do qual acompanho há muito tempo. Gostei do seu trabalho quanto aos filmes alternativos e fiquei de verás curioso em saber onde você consegue esses filmes. Daqui para frente pretendo estar sempre por aqui. Abraço.

    • Emerson Teixeira Lima

      Agradeço muito a mensagem Tadeu, ainda mais legal saber que você vai voltar =)
      Cara, eu encontro os filmes caçando bastante, se você estiver interessado, posso te passar alguma coisa ( link etc ) pelo e-mail, twitter, enfim. Sempre que precisar é só dar um grito!

      Abraço!

  • startspreading

    Oi, Emerson! Que bom que gostou do Crítica Retrô. Também gostei muito de seu blog.
    É a segunda crítica que leio deste filme hoje, e ambas concordam que o desastre foi maior que a inovação… uma pena, né? Sei que um episódio da série Modern Family também se passa totalmente na tela de um computador, e preciso dizer que o resultado foi bem satisfatório.
    Abraços!
    Letícia

    • Emerson Teixeira Lima

      Realmente, pois a ideia é muito curiosa =)
      Sou um grande admirador do seu blog querida, abraços!