Feuchtgebiete, 2013

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★★★

Baseado no livro homônimo de Charlotte Roche, “Feuchtgebiete” seria apenas mais um filme que retrata uma crise existencial na adolescência, se não fosse pela audácia em mesclar isso com a impulsão quase que inconsequente da personagem principal em levar o seu corpo ao limite da exploração, causando um nojo extremo em quem assiste.

Como assim? A jovem já começa afirmando que, quando criança, a mãe sempre lhe alertara sobre o quanto a vagina é sensível a bactérias. Somos então apresentados a pequena Helen, em um flashback – algo que acontecerá bastante – limpando freneticamente o banheiro para, enfim, poder usá-lo sem que sua pequena e inocente vagina esteja em perigo.

Cabe mencionar os vários ensinamentos da mãe, como por exemplo quando a menina está em cima de um muro, a mãe abre os braços como quem diz “vem, pula aqui!”, a menina pula e a mãe desvia. Depois chega e fala: “Melhor ralar o joelho agora do que ter um coração quebrado no futuro. Não confie em ninguém, nem mesmo em mim”. Já é de se notar, que a pobre menina não teve em seu berço a famosa “segurança”, tão importante para a formação de um caráter. Isso de imediato, soa como uma tentativa desesperada dela, no futuro, em se auto-desafiar, através do cu, da vagina suja, estilo bem largado, etc.

Pessoalmente não me incomodou tanto, como muitos por ai, pois realmente fiquei bem interessado em entender a cabeça da garota. Porém, se tivesse prestado um pouquinho mais de atenção na parte visual e grotesca desse filme, certamente ficaria com enjoo. Entre elas há uma cena em que vários homens, que trabalham em um restaurante, ejaculam em uma pizza que será vendida em seguida. Enfim, essa cena é belíssima, no fundo está tocando um clássico e, em outras oportunidades, certamente viraria um momento icônico no cinema. Porém, as cenas que realmente causam impacto são prejudicadas por um desenvolvimento muito fraco.

A protagonista, Helen, interpretada brilhantemente pela graciosa – mas, aqui, nojenta – Carla Juri se machuca ao se depilar, visto que a menina tem hemorroida. Primeiro ela vai para escola com uma mini-saia, escorrendo sangue pela perna, mas depois se sujeita, finalmente, ao hospital. Lá ela se torna uma figura carimbada e, por muitas vezes, odiada, devido a sua personalidade esquisita. Ela fica se masturbando sempre, conversa sobre sexo com o enfermeiro e surge ai o interesse romântico.

Há de ser interpretado, de forma mais genuína, como um verdadeiro hino a liberdade da mulher, pois a sociedade impõe a aparência, comportamento e higiene ideais, assim como podemos estender para uma analise imparcial sobre o jovem moderno, que utiliza-se de problemas familiares como pretexto para as mais diversas imbecilidades, porém, ainda me pego frustado em estar diante de uma ideia interessante mas desenvolvida com preguiça.

Destaque para a trilha, sempre muito bem utilizada, e a fotografia, sempre muito colorido, utiliza-se a quase todo momento as cores azul e rosa – reparem por exemplo as unhas dela, são pintados três de azul e duas rosas, ao contrário na outra mão, sua calcinha também é rosa, o banheiro sujo do início é azul etc – remetendo-nos imediatamente ao contraste com a personalidade da Helen, afinal, de menininha doce ela não tem nada.

No fim parece que a manipulação da sensação de nojo foi muito mais eficaz que o controle sobre os personagens, de qualquer modo, é válido para o entretenimento, mesmo que seja bom não ter comido nada antes de assistir.

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emersontlima

No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

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