Chico & Rita, 2010

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★★★★

Vencedor do prêmio de melhor animação no Goya de 2011, “Chico e Rita” poderia ser simplesmente – e somente – mais uma história de amor. Mas como já é costumeiro nas animações espanholas, existem centenas de elementos cruciais e referências para os mais atentos. No filme em questão, há uma relação incontestável com a música cubana. Visto que ambos protagonistas são músicos de alto nível: Chico é um pianista e Rita uma cantora, dona de uma voz potente.

Não sou um conhecedor dos cantores de Cuba, o máximo que já ouvi foi o excelente Miguelito Valdés mas, por influência dessa exímia homenagem, me dei a oportunidade de pesquisar mais sobre, por sinal estou descobrindo coisas fantásticas. Não tem como ignorar a felicidade dos realizadores Fernando Trueba, Javier Mariscal e Tono Errando na contemplação da música. Afinal, o filme – personagens- viaja para Paris, Las Vegas, New York, destaque para esse último, onde teremos uma profunda reflexão sobre os preconceitos existentes no Estados Unidos, visto que o filme começa no final da década de 40. Ainda mais, é um verdadeiro passeio pela história do blues/jazz, diretamente afetada por essa separação da população.

Temos aparições ou citações ilustres, como é o caso do Charlie Parker. Um ícone para a música, mas também imortalizado pela forma de vida, o vício sempre esteve muito presente. Aliás, essa querida animação tem como maior característica o desprendimento daquela famosa ideia de que “se é animação, foi feito para crianças”, aqui temos um conteúdo inteiramente adulto, inclusive com uma cena de nu frontal.

A vida boêmia se faz presente, bem como o relacionamento conturbado. Chico não faz o romântico perfeito, muito menos Rita segue o perfil delicado. A personagem se desenvolve em base a uma ousadia incrível, felizmente o roteiro é sublime em fazê-la ser a frente do seu tempo, diferente – incrivelmente sexy – sem ser vulgar.

Entre encontros e desencontros, os dois, já na velhice, compreendem que viveram intensamente e, pelo mesmo motivo, se perderam um do outro. Complementando a introdução desse texto, “Chico e Rita” não é uma história de amor entre duas pessoas, mas sim de duas para com a música, com todas oportunidades, desastres e perdas que ela traz.

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No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

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