Divertida Mente, 2015

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Fui assistir o mais recente da Pixar na última terça-feira ( 16/06/2015 ) em uma sessão especial, quatro dias antes do lançamento e, ainda mais, com uma participação de vinte minuto do diretor Pete Docter e o produtor Jonas Rivera apresentando o estúdio da Pixar e falando um pouco do filme que seria apresentado em seguida e, até mesmo, outros esperados como “O Bom Dinossauro” e “Toy Story 4”.

Então começo afirmando que esse dia foi extremamente especial para mim, me emocionei com os comentários dos realizadores, adorei o curta “Lava” e, não a toa, assisti uma obra genial. O melhor filme da Pixar e uma das maiores animações da história do cinema.

Pessoalmente eu me dedico muito a ouvir as pessoas, no ambiente de trabalho, seja nas escolas nas quais dou aula, ou até mesmo trabalho com fotografia, sempre me dedico a nunca ficar preso na minha própria opinião. Poderia estar passando uma falta de confiança em mim mesmo, mas é muito pelo contrário.

Sou daqueles que acredita que, para algo acontecer, é preciso sentir opiniões diferentes da sua. Uma empresa que se fecha na produção rápida, seja de ideias ou produtos, está fadada a chatice. Portanto, me pego pensando o quão importante é dar valor a sensibilidade para uma obra ser criada, independente do que a pessoa faça. Seja construir uma casa, fazer café, trabalhar em escritório ou criar um filme, é muito confortável saber que há várias pessoas dialogando com respeito e carinho em prol à um único objetivo.

Mas qual será o motivo que estou escrevendo isso? Respondo, simples: Pixar. Eu daria tudo para trabalhar na Pixar, pois ela dá voz à todos. Um dos “chefes”, hoje, é o querido e carinhoso John Lasseter que, com toda simplicidade, dá continuidade a essência dessa fábrica de sonhos. O coração que existe ali, a cumplicidade entre todos os empregados, ou melhor, artistas – e não estou falando apenas daqueles que trabalham diretamente com o audiovisual, mas sim de todos, inclusive os guardas, pessoas que cuidam da limpeza etc – parece que tudo é uma orquestra de dedicação as emoções de cada um. Valorizando a alegria de outrem para, enfim, contribuírem, juntos, para formação de infinitos sorrisos de eternas crianças nas salas de cinema de todo o mundo.

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“Divertida Mente” é mais complexo que “A Origem” e, no mesmo tempo, incrivelmente simples. A simplicidade se encontra na mensagem. Nunca em outra animação da empresa, que com o tempo se tornou especialista em lidar com o inimaginável e, ainda assim, extrair o amor, eles tiveram tanta facilidade em falar sobre o ser humano, no seu mais particular estado de confusão.

Podemos analisar essa diferença de forma bem prévia, enquanto muitos filmes anteriores do estúdio tem como protagonistas insetos, brinquedos, robôs, idosos etc, em “Divertida Mente” só há uma menina. Ela é o âmago dos conflitos familiares que existe e, sem sombra de dúvidas, faz parte de toda a estrutura genial, composta com muito talento e cuidado por Pete Docter, diretor que fez roteiros diferentes, começando com “Monstros S.A.”, “Up – Altas Aventuras” e, no mais recente, parece que chega ao seu ápice, pois já se revela distante das crianças. O que de forma alguma é prejudicial, mas há apenas uma camada divertida, as demais são extremamente profundas e filosóficas.

O filme é um registro de uma metamorfose, mais precisamente, acompanha a adorável Riley, desde o seu nascimento, até a fase da pré-adolescência. O fato é que somos apresentados a ela e suas emoções – que aqui são personagens -, ou seja, a alegria, o medo, a raiva, nojo e tristeza são os “diretores” ou “maestros” que regem a garota, isso porque os vemos dentro do seu cérebro. Além disso, o espectador – por entre sorrisos e choros copiosos – percorrem o labirinto indecifrável da mente humana, com respostas maravilhosas e carinhosas sobre a criação de sonhos, amigos imaginários, esquecimento etc.

Na minha adolescência eu me mudei bastante de cidade, parece que me fixar em um lugar era um luxo impossível para mim. Demorou muito tempo, muitos conflitos, para eu entender que nem tudo é como a gente quer. Aliás, demorou mais ainda para perceber que, por mais que nosso passado e lugar pareça incrível, mesmo que voltemos mais tarde, nunca será como foi, porque nunca continuamos os mesmos. Tem que haver uma separação entre a saudade de um tempo e de um lugar, são duas coisas diferentes que andam muito próximas.

A mudança representa aqui um baldrame para toda uma estrutura de reflexão; principalmente acerca da composição da nossa personalidade. Cada momento vivido, cada etapa, nos deixa mais fortes para, enfim, continuarmos, independente de como e onde.

Dificilmente uma animação mexeu de forma tão particular com algo que estava guardado em meu coração. Uma linguagem complicada, decifrando, talvez, o maior enigma de todos. Mas mesmo assim, como é delicioso acompanhar esses e outros dilemas com personagens tão fofos, que remetem a nossa infância, a nossa inocência. O “era uma vez” nunca esteve tão vivo, é com orgulho imenso que pude assistir, enfim, a realidade sendo transformada em uma animação. De fato, estamos diante de uma obra poderosa, que faz pensar, organizar, respirar fundo, chorar[…]

Eu, que tanto teimo louvar a tristeza, me identifiquei de imediato com a personagem meiga que a representa, ainda mais, pude observar a contemplação da mesma. Seria incômodo para muitos, talvez, o isolamento da alegria, como comandante das emoções ou líder, sem nem ao menos uma interferência da tristeza que soa, durante todo o filme, como realista. No final temos uma oportuna mensagem, de que, às vezes, a luz acende nos piores momentos.

Ledo engano, as emoções, em “Divertida Mente” operam/trabalham como os seus realizadores, como a Pixar, cada um contribui com o seu melhor, com a sua maior verdade. Com carinho e dedicação a gente chega longe, pode demorar, mas chega.

E, assim, a Pixar retorna com tudo, vai ganhar o Oscar e pode competir como melhor filme. Eu fico ainda mais encantado e perdido com a hipótese de ser criança eternamente e me deixar levar pela empolgação. No final da sessão, depois de chorar durante quase todo o filme, pude ainda em uma sala vazia, ser o único a bater palmas. Talvez seja uma das minhas emoções me dizendo que deveria expressar-me com o mínimo do mínimo: um sorriso.

Beijo no coração!

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emersontlima

No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

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