Atividade Paranormal – Quando uma boa ideia se transforma em fracasso

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Desde a estréia do primeiro “Atividade Paranormal”, em 2009, ficou claro que a excelente ideia poderia render não só elogios da crítica – como houve, apesar de bem menos do que o esperado – como também ser um excelente negócio, pois se tratava de uma filmagem caseira, feita de forma super simples. Mas, apesar de ter se tornado um dos filmes mais lucrativos da história do cinema, a série de filmes que viriam a seguir, todas pautadas na mesma ideia genial do primeiro, cansaram o público. A sensação é de que nenhum deles cumpre o que promete, por que isso acontece, afinal?

Antes de mais nada, tenho que deixar claro que se você procura uma crítica, resenha ou artigo analisando todos os filmes, procure em outro lugar. Eu não seria capaz de explorar um por um pois não assisti a todos, os que eu vi foram nos respectivos anos de estréia e, principalmente, por serem todos muito parecidos, parece que assisti a um só grande e péssimo filme.

Recentemente fui assistir o quarto filme, vulgo “Atividade Paranormal 4” e me frustei com a repetição de conceitos já vistos milhões de vezes antes. Na verdade, como tenho tendências ao masoquismo – brincadeira -, já sabia que não iria valer a pena o tempo perdido. Mas lá foi o Emerson tentar compreender qual o grande erro de todos os filmes do “Atividade…”.

É preciso lembrar-me, entes, de 2009, quando recebi as primeiras notícias sobre o filme. Fiquei apaixonado pela ideia, é fascinante essa proposta de invadir a privacidade e, mais do que isso, quebrar a segurança. Quando pensamos no sobrenatural ( aqui me refiro à espíritos, aparições, demônios etc. ) é questão de tempo relacionarmos com o nosso lar. As maiorias das experiências paranormais acontecem em uma casa, não no meio da rua. Isso acontece pois somos movidos por esse instinto de proteção, o próprio medo do escuro parte de uma impulsão selvagem onde nossos ancestrais precisavam ficar extremamente atentos à noite para não serem mortos por outros predadores.

Existe também a privacidade, ela funciona como uma máscara, com ela podemos ser o que quisermos. Dentro de casa nos sentimos confortáveis, infinitos e poderosos, porém o medo, essa sensação importantíssima e complexa, teima em acreditar que existem espaços entre os mundos e que, qualquer coisa que não possa ser explicada em trinta segundos, é possivelmente uma obra do sobrenatural.

Significado de ‘sobrenatural’:

Miraculoso; só conhecido pela experiência da fé.
[Figurado] Sobre-humano; que não se consegue alcançar, atingir naturalmente: esforço sobrenatural às questões humanitárias.
[Por Extensão] Extranatural; que vai além do natural, do comum: forças sobrenaturais. [Figurado] Excessivo; exageradamente grande: trabalho sobrenatural.

Já perceberam o quanto o lençol nos protege do medo, da sensação de desprotegidos etc? Muitos irão se identificar essa pequena história: uma menina sentiu seus pés descobertos, uma sensação estranha lhe surgiu, ela rapidamente os cobriu e olhou ao redor, mas tudo estava estranhamente normal em seu quarto escuro.

Então quando eu entendi a ideia do “Atividade Paranormal” – uma pessoa sente que na sua casa está acontecendo coisas estranhas e decide se filmar durante à noite – eu me senti extremamente feliz e confiante que se trataria de um verdadeiro truque para envolver diversos dilemas e brincar com essa sensação de vulnerabilidade.

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Mas o diretor Oren Peli não faz nada! Claro, todos sabemos os recursos limitados pelo próprio formato, mas isso não o impedia de inovar. O que pode ser visto e vemos até hoje, nos novos infinitos filmes que saem todos os anos, é a mesma tentativa de assustar com detalhes triviais.

A boa ideia, que coloquei no início, faz alusão à imaginação do espectador, – já é sabido que antes do lançamento dos Atividades Paranormais a produtora faz sessões de teste para filmar as reações, essas reações quase sempre são tão exageradas que eu só consigo pensar que todos ali possuem uma imaginação tão grande e poderosa que faz com que embarquem nessa ideia de invasão e insegurança, que desenvolvi ao longo do artigo – pois essa mesma ideia jamais foi verdadeira, ela foi, desde o princípio, colocada atrás de uma tentativa desesperada de fazer um bom negócio. Atividade Paranormal, todos os filmes, é a prova real de como a arte pode ser sacrificada em prol aos inúmeros interesses.

Uma proposta interessante que se tornou monótona e cansativa, resta-nos tentar imaginar também. Mas, confesso, se alguém filmar a minha reação assistindo esses filmes, certamente iriam ficar muito zangados com a minha expressão de tédio.

Obs: Após assistir ao primeiro filme, no cinema em 2009, voltei para casa determinado a me filmar durante uma noite inteira. Infelizmente nada aconteceu. Quem sabe isso vire um filme um dia?

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No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

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CdA [ímpar] #63 – Demon, 2015

Demon 2016

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No episódio #59 do podcast [Cronologia do Acaso], voltamos ao formato [ímpar]. Emerson Teixeira comenta o filme “Demon”, uma co-produção israelense-polonesa dirigida por Marcin Wrona.

Crítica do Emerson Teixeira sobre o filme: http://cronologiadoacaso.com.br/2016/06/17/demon-2016/

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Laurence Anyways, 2012

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★★★

Essa crítica faz parte de uma maratona que eu estou fazendo do diretor Xavier Dolan. Até algum tempo, não tinha assistido nenhum dos seus filme e, para me redimir desse erro, estou fazendo sessões em ordem cronológica afim de descobrir a mente e coração desse jovem diretor. Caso queira se aventurar comigo, leia também as críticas sobre “Eu Matei Minha Mãe” e “Amores Imaginários“.

“Laurence Anyways” é o terceiro filme do Xavier Dolan, o espaço de tempo entre o segundo e o terceiro foi maior, dois anos, e a primeira coisa que é possível perceber é a necessidade do diretor em contar uma história diferente, com muito mais profundidade no que diz respeito a sexualidade. Entretanto, se por um lado o jovem foi deixado um pouco de lado nesse terceiro filme, do outro ainda estão presentes certos “vícios” do diretor, como a câmera lenta, uso de boas músicas, filmagem acompanhando o personagem pelas ruas e, principalmente, o uso de cores. 

Na história acompanhamos uma década da vida de Laurence – interpretado maravilhosamente por Melvil Poupaud – que, depois do seu aniversário de 30 anos, resolve revelar para os amigos, namorada e família que deseja se tornar uma mulher, pois se sente como tal. A partir disso será desenvolvido, através de cenas bem singelas e ritmo lento, todo o processo de aceitação e coragem para enfrentar as mudanças, no mesmo tempo que o filme trabalha o lado emocional da namorada do protagonista, Fred – interpretada pela excelente Suzanne Clément – que não consegue aceitar a situação facilmente.

O casal é apresentado com o ritmo acelerado, conhecemos pouco, no início, além da paixão descontrolada entre eles e a postura livre e despreocupada. O que é bem interessante e funciona para o entendimento da história, visto que no segundo e terceiro ato a história se arrasta demais, sendo um reflexo da própria maturidade.

Assim como ressaltei nas críticas anteriores sobre os filmes do Xavier Dolan, os objetos da casa são muito importantes para a compreensão simbólica da psicologia dos personagens, no entanto me aprofundar aqui seria me repetir, pois apesar de ter admirado essas mensagens subliminares em “Eu Matei Minha Mãe“, em “Laurence Anyways” se transforma em algo pouco inovador. Esse é um ponto fraco do terceiro trabalho de Dolan, o diretor, muito provável que seja pela idade, teima em repetir truques desnecessários.

No entanto, algo que volta a fazer muito bem é o uso das cores, se em “Amores Imaginários” o azul era uma cor crucial, nesse terceiro o vermelho assume tal importância, talvez maior. Desde as primeiras cenas o casal cita o vermelho e é possível perceber que a cor soa como uma entidade mística que envolve os dois. Percebam – aliás, é difícil não perceber – que durante boa parte do filme o cabelo da Fred – namorada do protagonista – é vermelho, ela só muda a cor quando vai se distanciando do seu amor ou de quem foi um dia.

A câmera subjetiva, utilizada com frequência desde o início, dá um tom interessante a trama, nos posicionando nas angústias do protagonista, admirando um mundo repleto de julgamentos. Não à toa o diretor faz questão, muitas vezes, de filmar os personagens em segundo plano, sempre escondidos atrás de uma parede, de forma que eles sejam “engolidos” pelo cenário. É visualmente estranho essa decisão – principalmente por conta do uso com frequência – mas remete diretamente aos sentimentos das personagens.

Se existe toda a capacidade e incapacidade do diretor, o outro lado e, talvez, o que mais me encanta no Xavier Dolan é sua capacidade de escrever roteiros tão sutis e, no mesmo tempo, impactantes. É de grande importância que exista um hino ou representante dos filmes LGBT, e o mais incrível é que Dolan ultrapassa essa barreira e desconstrói tudo para falar sempre de amor. Nem mesmo o ritmo fraco do filme tira a profundidade das suas personagens: Laurence é a representação do homem moderno, mergulhado em indecisões, ele passa a enxergar a vida de outra forma, sendo representado pela troca de identidade. No mesmo tempo que a sexualidade é importante, não é a maior importância, pois o diretor pretende analisar o homem sensível, independente de qualquer outra coisa. Um ponto importante do personagem é que ele, mesmo com a decisão de se assumir mulher, é hétero, o que gera ainda mais confusão na namorada e família, e que representa fielmente a ignorância da população em questões como gênero, identidade de gênero e orientação sexual.

A namorada, por sua vez, é a sem dúvida a personagem mais interessante, pois os impactos de toda a mudança do filme cai sobre ela, a ousadia e coragem de Laurence o isenta de melancolia, enquanto Fred, sua namorada, não está preparada para tal atitude. A menina agitada e rebelde dá lugar a uma perdida, Suzanne Clément cria uma personagem maravilhosa através de olhares, expressões corporais e protagoniza uma das cenas mais lindas que eu já vi no cinema: quando surta com a gerente de uma cafeteria, de modo a se proteger e proteger o namorado do preconceito que os atinge constantemente.

O filme é, sem dúvida, uma preciosidade para ser sentida com muita entrega, é uma verdadeira ferramenta de evolução pois aborda um tema pesadíssimo de forma sutil, quase imperceptível. A borboleta, que culturalmente representa a transformação, nunca aparece em momentos importunos, pois vivemos sempre atrás de uma outra vida e outras oportunidades. E, no final do filme, quando o cabelo de Fred já não é mais vermelho e fica claro que a moça se desprendeu do passado, ela pede licença para Laurence e entra em um banheiro com paredes vermelhas, como se fosse prisioneira de algo que viveu, prisioneira de um sentimento. Quem não é, afinal?

  • Isso é uma revolta?
  • Não, uma revolução.

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O Começo da Vida, 2016

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★★★★★

O que posso escrever sobre um documentário que trata o ser com uma sensibilidade gigantesca, dando atenção a cada pequeno momento particular como se fosse um universo inteiro de possibilidades? Aliás, as crianças do mundo inteiro parecem ter algum tipo de conexão, todas elas, sem exceção, criam com uma facilidade extrema. Um pequeno objeto ou um tecido, tudo vira uma maravilha escondida atrás do comum.

É fácil perceber que essa palavra, “comum”, é uma extensão do grande problema que é crescer e amargurar-se. Não existe o comum e, na verdade, todo processo de criação depende unicamente da entrega ao deleite do simples.

Confesso que a diretora Estela Renner não tinha chamado a minha atenção com o documentário “Muito Além do Peso”, mas devo admitir que a importância da obra é gigantesca, pois o mal da obesidade é realmente um perigo muito próximo. A diretora parece se preocupar com a criança, boa parte do seu trabalho abraça essa questão. Com “O Começo da Vida”, lançado recentemente pela Netflix, ela parece chegar ao auge do amor e carinho, registrando momentos isolados de afeto entre as famílias e das crianças com o mundo que os cercam. Ela se intromete nesse universo dos bebês, das famílias, mas nunca de um jeito negativo. Afinal, ela é criadora, portanto, criança. Não vejo uma outra explicação para tamanha simbiose com as ações.

A fotografia é clara, a luz está muito presente, como se todos ali estivessem em um paraíso. Em um mundo onde a pressa, o trabalho e a preocupação toma conta do homem, surgem pequenas e importantes vírgulas em nossas vidas. Ter um filho é uma delas. Uma adorável demonstração para a vida que somos proprietários de um dom mágico, o de ensinar.

No começo do filme senti falta da diversidade, as casas são sempre muito espaçosas, limpas e bonitas, as crianças envoltas de muita dedicação por parte da família. Mas a diretora foi inteligente em ir desconstruindo essa perfeição em doses homeopáticas. É possível ver depoimento do Brasil, Índia, enfim, algo que funciona para uma reflexão sobre as possibilidades que o governo dá para os cuidados de um novo cidadão. É questão de tempo compararmos a sociedade dos países e perceber, de imediato, o quanto o carinho, dedicação e união de uma família contribui para o desenvolvimento de um ser humano. Que perigo é essa responsabilidade de ser criado e criar, não é mesmo?

“O afeto é a fita isolante das ligações entre os neurônios, uma vez que você tenha essa ligação, vem o afeto e faz com que seja tão forte que nunca será desfeita… Mude o começo e mudará a história toda.”

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Luz de Inverno – Reflexões sobre o silêncio de Deus

Luz de Inverno

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No episódio número #62 do podcast [Cronologia do Acaso], Emerson Teixeira convidou o Marcos Ramon para uma analise sobre o filme “Luz de Inverno”, de 1963, dirigido pelo gênio sueco Ingmar Bergman. Ainda mais, discutimos sobre Deus, isolamento do homem, enfim, temas abordados com frequência em todo o trabalho do diretor.

  • Episódio do Cronologia do Acaso: Quem é Deus?
  • Entrevista onde o Emerson Teixeira responde sobre a sua posição religiosa: Link
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Abbas Kiarostami – Descanse em paz mestre!

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Segunda-feira, dia 04 de julho de 2016. Estava no trabalho e voltei para casa em silêncio, não o porquê, mas nesse dia estava menos inquieto e mais reflexivo. Imaginei uma série de coisas sobre minha vida, procurei alguma explicação antes do meio-dia, mas não fui capaz de entender essa dor no meu peito.

Cheguei em casa, fui ler notícias do dia e me deparo com uma péssima: O diretor Abbas Kiarostami havia falecido. Bem, imediatamente as lágrimas escorreram e me lembrei do dia que conheci o cinema iraniano, então eu tive um motivo real para experimentar a tristeza.

Esse texto não é para contar a história do diretor ou escrever sobre algum dos seus filmes – contudo, me veio agora uma vontade monstruosa de assistir todo o seus trabalhos novamente e fazer uma análise profunda, quem sabe um dia – mas sim desabafar.

A primeira coisa que fiz, ao receber a notícia, foi imaginar quantos não conhecem o seu trabalho e nem ao menos se darão o trabalho de conhecer. Mas ainda me peguei refletindo o quanto profundo é a dor daqueles que amavam o seu cinema, pois com Abbas era assim: Quem conhecia, adorava e o compreendia como um grande poeta do audiovisual, que transformava o simples em algo mágico, simplesmente por ser a verdade.

Lembrei-me de quando era jovem, mais jovem, conheci o filme “Close-up” ( 1990 ), um verdadeiro dialeto sobre a mentira, amor e devoção à arte, sem nenhum tipo de julgamento, somente sensibilidade e necessidade emocionante em entregar-se através do cinema. Seria tolo se eu não admitisse que o cinema iraniano mudou a minha vida e a forma como enxergo o meu dia, o meu redor e eu mesmo. Abbas Kiarostami mudou o Irã com a sua arte, fez do mundo um palco pequeno e atraiu olhares, empatia e admirações pelo seu país, com os seus sofrimentos e proibições. Fez-nos amar as crianças, entender o dom da atuação como algo muito maior do que credenciais de ator e conhecer o gosto da cereja.

A vida continua Abbas, infelizmente sem você, mas o seu legado é imortal para aqueles que creem no divino, creem que a arte transforma, desde um indivíduo com seus vícios até um sistema político. Através das Oliveiras o seu ensinamento descansa e assim vou tentando ser uma cópia fiel do meu mestre. Ele que me ajudou a caminhar por entre a naturalidade de singelos sentimentos e perceber que eu só existo para compartilhar, do caso contrário serei um viajante cheio de experiências vazias e exíguas.

Não conhecer o seu trabalho é normal, quem dera eu poder assistir todos como se fosse a primeira vez, com a mesma intensidade e felicidade, mas assistir, sem se sensibilizar, é desumano.

Tenho me questionado repetidas vezes, desde criança, o motivo de tamanho amor pelo cinema, por diversas vezes me esqueço que se trata de um elemento atribuído com grande frequência, atualmente, ao entretenimento e tão somente à ele, mas sigo enfrentando essa dúvida e continuo me classificando como um amante do cinema verdade, cinema real, cinema que reflete a vida, entre outros. No fundo eu sei que a linha entre realidade e ficção é tênue, tudo é verdade, somente existe. Abbas deixou algo forte no meu coração, tão forte que por diversas vezes nem sei como usar, mas vou desmistificando essa missão e, agora, que o meu mestre se fora para um outro lugar, me resta voltar e sentir tudo novamente, me apaixonar novamente, não me sentir tão só e tentar aceitar que, onde quer que Kiarostami esteja, eu nunca esquecerei de lhe perguntar: “onde fica a casa do meu amigo?”

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À Beira Mar, 2015

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★★

Brad Pitt e Angelina Jolie são, hoje, o casal mais famoso da indústria do cinema. Quem assiste “Sr. e Sra. Smith”, de 2005, percebe que os dois são quase entidades de tão lindos e, ainda mais, juntos ficam perfeitos. Desde então saem muitas notícias sobre separação e diversas especulações sobre eles, claro, afinal são dois dos maiores nomes de Hollywood. O que é possível perceber é o carinho que Brad Pitt tem pela Angelina e os seus filhos; juntos eles formam, também, uma família muito querida.

Angelina Jolie dirige “À Beira Mar”, de maneira bem alternativa, deixando de lado a narrativa convencional e dedicando-se exclusivamente à contemplação. Ela contracena ao lado do marido Brad Pitt e, no meio de tantos trabalhos populares e bem aceitos pelas pessoas, essa pequena obra soa como um desabafo, onde os dois atores podem ser naturais e viscerais.

A história acompanha o casal Roland e Vanessa, escritor fracassado e ex-bailarina, respectivamente, em uma viagem para uma pequena cidade da França. Roland, afim de buscar inspiração para escrever um livro, anda por entre a cidade para conhecer as pessoas e beber, enquanto a sua esposa mergulha em depressão e álcool dentro do apartamento. Os dois vivem um momento muito conturbado no casamento, onde a distância e o silêncio estão muito presentes.

Vale ressaltar que do lado do apartamento está um outro casal, em lua de mel, chamado François e Lea, eles vivem a efervescência do início de uma relação e servem como contraste ao casal protagonista. No mesmo tempo essa dicotomia ajuda-os a repensar suas atitudes e o quanto o tempo mudou a relação entre eles.

Eu não citei “Sr. e Sra. Smith” por acaso, desde 2005 Angelina e Brad não trabalhavam juntos e, aqui, eles estão bem diferentes daquela época. Não acredito que seja autobiográfico, mas é sabido o fato que a Angelina Jolie não anda muito bem ultimamente – ela está assustadoramente magra nesse filme em questão – e Brad Pitt, apesar de continuar muito bonito, agora é um senhor. Então se “À Beira Mar” fala sobre o tempo, os atores se mostram verdadeiramente e ajudam, através das suas próprias histórias, a compor essa reflexão. É impossível assistir esse filme e não se questionar sobre todas essas coisas, até porque as cenas contemplativas, com longos planos, nos permitem pensar bastante.

Apesar da Angelina Jolie tentar chamar bastante a atenção para si, com grandes enquadramentos e aproveitando bastante a paisagem da sua varanda, quem se destaca mesmo é Brad Pitt. Ele faz qualquer atuação ser fácil e aqui a sua naturalidade surpreende. Ainda mais, a obra não é construída em base à cenas memoráveis, mas uma em específico vale todas as atenções: Roland/Brad Pitt olha a sua mulher e, se emocionando, diz “você está sorrindo“.

Contudo, apesar das intenções serem as melhores, Angelina peca na direção por repetir algumas ideias, principalmente no que diz respeito ao visual, como ângulos e movimentos que sugerem ou dialogam constantemente com a melancolia. O roteiro também se torna bastante repetitivo. Ainda existe uma singela preocupação em deixar as metáforas bem claras, como por exemplo o buraco na parede que representa a fuga para um outro tempo, uma outra intensidade. Apesar dessa ideia ser interessante, o desenvolvimento exaustivo dessa metáfora cansa e, na terceira vez, chega a ser engraçado.

Com fortes inspirações em “Quem Tem Medo de Virginia Woolf?“, o filme ainda peca por não desenvolver bem os jovens que moram ao lado. A sensação é de lamentação, pois o o casal é vivido pelos excelentes Melvil Poupaud e Mélanie Laurent e, infelizmente, a diretora trabalha ambos com indiferença, contrariando a sua intenção e prejudicando o resultado final.

“À Beira Mar” mais decepciona do que acerta, pertence ao grupo de filmes com ideias fantásticas, mas que fracassam na execução. Contudo, a atuação do Brad Pitt e a fotografia são os dois elementos que merecem atenção.

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Diário De Um Exorcista, 2016

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★★

Dois jovens diretores vão até a casa de um famoso exorcista, chamado padre Lucas Vidal, afim de fazer uma entrevista sobre a sua história e casos de exorcismos. Os garotos afirmam timidamente que “pretendem fazer um filme diferente“. Claro que, após essa afirmação, é possível entender os dois jovens cineastas como alter egos dos diretores Renato Siqueira e Ruben Espinoza. Um começo digno de suspense, pois a divulgação do filme é muito sustentada na ideia de que se trata de relatos verdadeiros, onde o Renato e Ruben, inclusive, chegaram a presenciar rituais de exorcismos.

O Brasil, apesar de ser um país extremamente religioso, nunca desenvolveu muitos filmes que abordam o sobrenatural, muito menos de exorcismos. Só me lembro do “Exorcismo Negro” de 1974 – que inclusive se aproveitou bastante da popularidade do “O Exorcista” – e, no que tange exorcismos, parou por ai. Claro, existem obras nacionais que incluem diversos elementos, incluindo a possessão, é o caso do curta-metragem “Amor só de Mãe”.

Fica evidente que a ousadia em se trabalhar o tema é deveras importante para o nosso cinema, é um trabalho independente que merece aplausos pela dedicação. Além do mais, toda a produção é muito bem feita, o maior problema é que a realização é maior do que o roteiro do filme.
Retomando a frase dos jovens diretores entrevistando o padre logo no início: se os realizadores levam a sério o seu trabalho, deveriam ter mais cuidado com o desenvolvimento da história. Principalmente decidindo, logo no início, entre o “terror” e o “terrir”. O terror deve ser pautado na realidade, não dá para confiar exclusivamente na frase “baseado em fatos reais”, nos créditos iniciais, como forma de provocar a empatia do espectador, é preciso lidar com a sugestão, revelar os “monstros” com calma, e aqui é feito o contrário, tem demônio possuindo alguém em espaços muito curtos de tempo. Isso acaba tirando a nossa concentração e, principalmente, a seriedade para com a experiência do filme.

“Diário De Um Exorcista” foi criado e aparentemente moldado para ser grande, e de fato é. O uso exagerado dos efeitos especiais, as diversas cenas de exorcismos, tudo poderia se encaixar em uma perfeita obra, mas isso não acontece pois os eventos não partem de uma estrutura coerente. O roteiro direciona o espectador à espera de algo novo, um desenvolvimento exclusivo no que diz respeito ao tema “exorcismos” e, em vinte minutos de filme, faz absolutamente a mesma coisa que todos os outros filmes de terror já fizeram, incluindo ângulos de câmeras, arcos dramáticos, eventos sobrenaturais etc. Então a pergunta é, novidade para quem?

Os efeitos especiais tiram a possibilidade do “acreditar”, talvez a maior função do terror. Apresenta coisas interessantes como o ritual cujo exorcista prega o possuído em uma cruz, mas em nenhum momento explora esse elemento. Aliás, nenhum elemento apresentado é explorado completamente. O suicídio do pai do protagonista, a possessão da irmã – como a irmã do padre Lucas pode estar possuída, todos saberem do fato, menos o irmão?; Como pode o padre Lucas desacreditar tanto, ao saber pela família que a sua irmã está possuída, se ele próprio foi convidado para ser um exorcista? Outra, como pode um dos maiores exorcistas de todos os tempos, pelo menos o filme trabalha com essa ideia, morrer após 10 segundo na frente do suposto “diabo”!?.

É tantos espaços soltos no roteiro que é impossível se orgulhar completamente pela ambição dos diretores, que se perdem em meio a própria tentativa de ser extremamente grandiosos. Talvez se tivessem construídos os personagens pautados na realidade, fosse bem mais atraente ao público. Os efeitos especiais, acabam irritando, nos lembrando que seria possível utilizar uma singela maquiagem, enfim, às vezes o melhor caminho é a simplicidade.

“Diário De Um Exorcista” é uma verdeira decepção, e se esse sentimento existe é porque muitos esperavam uma obra diferenciada. Com duas atuações interessantes – Renato Siqueira dá naturalidade ao seu personagem, muito carinho e demonstra com perfeição a sua fragilidade e Fabio Tomasini explora, nas poucas oportunidades que têm, algumas expressões fortes, sendo inclusive o único personagem que se salva em meio à uma catástrofe – poucos detalhes se sobressaem, se tratando apenas de mais um filme de exorcismos que cairá no esquecimento dentro de alguns anos.

Obs: Renato Siqueira, diretor do filme, mandou uma mensagem via Facebook apontando uma observação: “[…] quem fez a pesquisa não foi o Ruben Espinoza e sim Beto Perocini e Luciano Milici […]”. / Agradeço a observação Renato. Estarei acompanhando os seus próximos trabalhos.

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Rapsódia em Agosto, 1991

Rapsódia em Agosto

★★★★

Esse é o penúltimo filme dirigido pelo mestre Akira Kurosawa. Com toda a sua classe e inteligência, conduz uma história emocionante sobre uma idosa que mora em Nagasaki, no Japão, e está cuidando dos seus quatro netos, ela é uma sobrevivente da bomba atômica de 1945 e os seus netos vão, aos poucos, se interessando em descobrir um pouco mais sobre a catástrofe da segunda mundial e, consecutivamente, compreender o passado da sua avó.

O filme é delicado ao extremo, sensível e dinâmico ao apresentar o espectador, primeiramente, à rotina da avó delicada e os seus netos compreensíveis, apesar de serem jovens. Mesmo em uma cena em que eles conversam com a sua avó e desabafam o quanto a comida é ruim, existe um carinho e respeito enorme, que terá uma evolução grande ao longo do filme.

A inserção das lembranças e diálogos sobre os impactos da bomba atômica na cidade e na vida da avó são bem sutis. Alguns momentos, com a ajuda da trilha sonora, são bem emocionantes, pois se trata de um sofrimento real e um dos maiores da história mundial. A vovó Kane representa com perfeição toda a trajetória do Japão, ela mesma afirma, em dado momento, que não sente mais ódio dos Estados Unidos pelo ocorrido, ela passou a entender a guerra como uma verdadeira vilã da humanidade. Para reforçar essa posição, temos o principal mérito do filme: a atuação da Sachiko Murase. Ela é uma atriz histórica do Japão, trabalhou em inúmeros clássicos e faz, aqui, o seu último longa.

Um ponto que eu destaco negativamente do filme é a breve participação do Richard Gere. Em 1991 ele tinha acabado de fazer “Uma Linda Mulher”, a sua fama era enorme e, quando soube da possibilidade de trabalhar com Akira Kurosawa, ele chegou a afirmar que o faria de graça. Contudo o diretor não queria explorar o ator e pagou um modesto cachê. Bem, apesar dessa história curiosa, o personagem de Gere representa os EUA e ele pede perdão no terceiro ato, soando artificial e contrastando com a visceralidade e carinho desenvolvido no começo. A sutilidade dá lugar a precipitação, aliás, é bem estranho ver o galã falando em japonês.

Mesmo com esse problema, o filme consegue ser eficiente e especial em analisar as consequências da guerra, cumplicidade e amor dos irmãos e, principalmente, no desenvolvimento da protagonista. A avó Kane é forte, une muitas histórias e enfrentou muitos medos durante a vida, a cena final, revela uma senhora super debilitada, segurando um guarda chuva com dificuldade em meio à uma tempestade, demonstrando, mais uma vez, que ela fora treinada pela vida para sobreviver em meio ao caos.

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Fragmentos de um Passado- Casablanca ( 1942 )

Paixão pelos clássicos

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Oi gente… O meu nome é Jucimara Pauda e sou uma apaixonada por livros, filmes e séries. Conheci primeiro os filmes e tomo a liberdade de voltar ao passado para contar a vocês porque sou tão apaixonada pelos clássicos, principalmente os em preto e branco.

Tudo começou quando eu tinha 8 anos e morava na zona rural. Uma TV em casa não fazia a nossa alegria porque ela sintonizava apenas a TV Cultura e eu me lembro que toda vez que eu ligava estava passando um homem dando aulas de Yoga (QUE MERDA).

No entanto, às 11 horas da noite, passava a “Ultima Sessão de Cinema” com filmes clássicos, com atrizes e atores lindos. Antes, Rubens Ewald Filho, que na época era magrinho, explicava os filmes e contava detalhes da vida dos astros de Hollywood.

Mas…..começava o filme e meu pai gritava do quarto que estava tarde e eu precisava desligar a TV. Eu obedecia e ia para o quarto.

Neste momento eu me transformava em super herói, ou melhor, o meu ouvido ficava biônico porque eu conseguia ouvir a respiração dele como se ele estivesse do meu lado.

Assim que meu pai dormia eu voltava para a sala, ligava a TV e terminava de ver o filme. Isto acontecia todas as noites.

A “Última Sessão de Cinema” me transformava em uma criança rebelde, feliz e encantada com o mundo do cinema. Assim nasceu minha paixão pelos clássicos que eu vou dividir com vocês uma vez por semana aqui no Cronologia do Acaso.

Obs: Essa coluna especial, investigando filmes, atores, diretores, entre outros, do passado, receberá o nome de “Fragmentos de um Passado”. 

Casablanca ( Imagem 2 )

Casablanca ( 1942 )

A obra escolhida para inaugurar a coluna “Fragmentos de um Passado” é um filme de uma época muito remota, mas que nunca perderá sua beleza. O filme é “Casablanca” com o carismático casal romântico Humphrey Bogart e Ingrid Bergman, dirigido por Michael Curtis.

O filme está entre os dez melhores do cinema americano e o casal é reconhecido como um dos que conseguiram a química perfeita nas telas de cinema.

Esta obra prima do cinema foi lançada em dezembro de 1942 no auge da 2ª Guerra Mundial e trazia uma carga de drama, romance, ironia e os meandros da personalidade humana diante da guerra.

Bogart é Rick Blaine um norte-americano triste, irônico, cansado, decepcionado com a vida e que mantém um bar em Casablanca, Marrocos, na fronteira e rota de fuga de quem deseja fugir da guerra a caminho da Europa.

O ator interpretou com maestria o papel de um homem que queria viver em paz, sem se preocupar com o que está acontecendo no mundo, mas não suporta ver as injustiças e acaba se envolvendo com os dramas que estão ao seu redor.

Ingrid Bergman ( Imagem 3 )

Um casal chega ao local precisando escapar dos nazistas. Por coincidência a mulher é Ilsa Lund (Bergman) um grande amor de Rick que o havia abandonado em Paris, a cidade luz, dez anos antes. Este é o motivo da famosa frase do filme “Nós sempre teremos Paris”, enfim boas lembranças sempre ficam em nossos corações.

O marido dela precisa de um passaporte para poder escapar dos terríveis nazistas que circulam pelo local com desenvoltura e aparentemente são amigos de Rick.

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Ilsa fica indecisa entre o amor dos dois homens. O marido dela é Vitor Lazlo, membro da resistência checa que está fugindo dos nazistas,  interpretado na época pelo famoso Paul Henreid.

É impressionante como um filme com mais de 60 anos ainda faz você ficar atenta a tela do computador (achei o filme na internet).

Na época, os roteiristas não sabiam com quem Ilsa iria ficar no final e quando Ingrid perguntava a quem ela deveria olhar com paixão eles diziam: para os dois. O resultado foi uma interpretação magnífica da atriz que até hoje é reconhecida pelo papel.

O filme levou o Oscar de melhor filme, diretor e roteiro. Quem gosta de um bom romance, belas interpretações e um clássico imperdível não pode perder esta obra prima do cinema.

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O diretor Michael Curtiz era húngaro e muito respeitado por sua eficiência, mas era considerado difícil no trabalho. Seus dois maiores sucesso são Casablanca e Aventuras de Robin Hood, com Errol Flyn. Ele dirigiu 28 filmes, uma produção considerada alta para a indústria cinematográfica.

Este é o meu primeiro post. Você tem sugestão de filme? Não se acanhe e diga qual você gostaria que eu assistisse. Lembre-se clássico pode estar em 1942 ou em 1992, depende da idade de cada um. Paz e beijos.

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13179187_10208149833416880_1343018949411775885_n Esse texto foi escrito pela Jucimara Pauda. Ela é jornalista, participante do podcast [Cronologia do Acaso], “booktuber” – tem um canal no Youtube sobre livros chamado “Livros sem Frescura” – e autora na coluna “Fragmentos de um Passado”, onde investiga, semanalmente, o cinema clássico.

Twitter: @pauda0505

Jucimara Pauda

Uma jornalista apaixonada por livros, filmes e séries mas que analisa tudo com o coração e muita paixão. Tem um canal no Youtube sobre livros, chamado: Livros sem Frescura.

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