Fragmentos de um Passado- Casablanca ( 1942 )

Paixão pelos clássicos

Movie Classic ( imagem 1 )

Oi gente… O meu nome é Jucimara Pauda e sou uma apaixonada por livros, filmes e séries. Conheci primeiro os filmes e tomo a liberdade de voltar ao passado para contar a vocês porque sou tão apaixonada pelos clássicos, principalmente os em preto e branco.

Tudo começou quando eu tinha 8 anos e morava na zona rural. Uma TV em casa não fazia a nossa alegria porque ela sintonizava apenas a TV Cultura e eu me lembro que toda vez que eu ligava estava passando um homem dando aulas de Yoga (QUE MERDA).

No entanto, às 11 horas da noite, passava a “Ultima Sessão de Cinema” com filmes clássicos, com atrizes e atores lindos. Antes, Rubens Ewald Filho, que na época era magrinho, explicava os filmes e contava detalhes da vida dos astros de Hollywood.

Mas…..começava o filme e meu pai gritava do quarto que estava tarde e eu precisava desligar a TV. Eu obedecia e ia para o quarto.

Neste momento eu me transformava em super herói, ou melhor, o meu ouvido ficava biônico porque eu conseguia ouvir a respiração dele como se ele estivesse do meu lado.

Assim que meu pai dormia eu voltava para a sala, ligava a TV e terminava de ver o filme. Isto acontecia todas as noites.

A “Última Sessão de Cinema” me transformava em uma criança rebelde, feliz e encantada com o mundo do cinema. Assim nasceu minha paixão pelos clássicos que eu vou dividir com vocês uma vez por semana aqui no Cronologia do Acaso.

Obs: Essa coluna especial, investigando filmes, atores, diretores, entre outros, do passado, receberá o nome de “Fragmentos de um Passado”. 

Casablanca ( Imagem 2 )

Casablanca ( 1942 )

A obra escolhida para inaugurar a coluna “Fragmentos de um Passado” é um filme de uma época muito remota, mas que nunca perderá sua beleza. O filme é “Casablanca” com o carismático casal romântico Humphrey Bogart e Ingrid Bergman, dirigido por Michael Curtis.

O filme está entre os dez melhores do cinema americano e o casal é reconhecido como um dos que conseguiram a química perfeita nas telas de cinema.

Esta obra prima do cinema foi lançada em dezembro de 1942 no auge da 2ª Guerra Mundial e trazia uma carga de drama, romance, ironia e os meandros da personalidade humana diante da guerra.

Bogart é Rick Blaine um norte-americano triste, irônico, cansado, decepcionado com a vida e que mantém um bar em Casablanca, Marrocos, na fronteira e rota de fuga de quem deseja fugir da guerra a caminho da Europa.

O ator interpretou com maestria o papel de um homem que queria viver em paz, sem se preocupar com o que está acontecendo no mundo, mas não suporta ver as injustiças e acaba se envolvendo com os dramas que estão ao seu redor.

Ingrid Bergman ( Imagem 3 )

Um casal chega ao local precisando escapar dos nazistas. Por coincidência a mulher é Ilsa Lund (Bergman) um grande amor de Rick que o havia abandonado em Paris, a cidade luz, dez anos antes. Este é o motivo da famosa frase do filme “Nós sempre teremos Paris”, enfim boas lembranças sempre ficam em nossos corações.

O marido dela precisa de um passaporte para poder escapar dos terríveis nazistas que circulam pelo local com desenvoltura e aparentemente são amigos de Rick.

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Ilsa fica indecisa entre o amor dos dois homens. O marido dela é Vitor Lazlo, membro da resistência checa que está fugindo dos nazistas,  interpretado na época pelo famoso Paul Henreid.

É impressionante como um filme com mais de 60 anos ainda faz você ficar atenta a tela do computador (achei o filme na internet).

Na época, os roteiristas não sabiam com quem Ilsa iria ficar no final e quando Ingrid perguntava a quem ela deveria olhar com paixão eles diziam: para os dois. O resultado foi uma interpretação magnífica da atriz que até hoje é reconhecida pelo papel.

O filme levou o Oscar de melhor filme, diretor e roteiro. Quem gosta de um bom romance, belas interpretações e um clássico imperdível não pode perder esta obra prima do cinema.

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O diretor Michael Curtiz era húngaro e muito respeitado por sua eficiência, mas era considerado difícil no trabalho. Seus dois maiores sucesso são Casablanca e Aventuras de Robin Hood, com Errol Flyn. Ele dirigiu 28 filmes, uma produção considerada alta para a indústria cinematográfica.

Este é o meu primeiro post. Você tem sugestão de filme? Não se acanhe e diga qual você gostaria que eu assistisse. Lembre-se clássico pode estar em 1942 ou em 1992, depende da idade de cada um. Paz e beijos.

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13179187_10208149833416880_1343018949411775885_n Esse texto foi escrito pela Jucimara Pauda. Ela é jornalista, participante do podcast [Cronologia do Acaso], “booktuber” – tem um canal no Youtube sobre livros chamado “Livros sem Frescura” – e autora na coluna “Fragmentos de um Passado”, onde investiga, semanalmente, o cinema clássico.

Twitter: @pauda0505

Jucimara Pauda

Uma jornalista apaixonada por livros, filmes e séries mas que analisa tudo com o coração e muita paixão. Tem um canal no Youtube sobre livros, chamado: Livros sem Frescura.

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Terror nos Bastidores, 2015

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★★★

Eu poderia analisar friamente “The Final Girls”, dirigido por Todd Strauss-Schulson, e classifica-lo como mais um filme bobo, que se propõe unicamente em fazer piadas utilizando o gênero terror como referência. Mas existe todo um saudosismo e, com certeza, a coerência deve ser levado em conta. A pretensão do filme é bem simples, mas dentro dessa simplicidade consegue ser brilhante.

A história é sobre uma garota que estuda no ensino médio chamada Max, – interpretada pela Taissa Farmiga que, assim como a sua irmã Vera Farmiga, vem demonstrando que tem um grande apreço por filmes de terror, visto que depois da primeira temporada de “American Horror Story” fez diversos filmes do gêneros, alguns bem interessantes como “Regressão” de 2013 – ela tem uma mãe que foi atriz em um clássico filme de slasher, esse papel a deixou bem famosa e, no mesmo tempo, sua carreira se tornou bem limitada. Contudo sua mãe Amanda Cartwright não parece se importar com isso, a própria afirma logo no início que: “não é uma atriz e sim uma estrela de cinema“. Amanda sofre um acidente de carro e, três anos depois, Max é convidada para uma sessão especial desse famoso filme. Acontece um acidente na sala de cinema e, misteriosamente, Max e alguns amigos são transportados para dentro do filme que assistiam, literalmente.

O filme se desenvolve em alguns dilemas centrais, todos eles reúnem o grupo de amigos que passam por grandes aventuras, primeiro, para se salvarem e depois para tentar sair do filme. O fato de eles terem assistido inúmeras vezes, faz com que “The Final Girls” ou “Terror nos Bastidores” brinque com diversos clichês que envolvem o subgênero slasher, fatos como os jovens que fazem sexo sempre morrema primeira personagem que morre é sempre a mais liberal e a última que morre é sempre a virgem são explorados com perfeição, esse filme faz algo parecido com o “Pânico”, cujo primeiro filme foi lançado em 1997 e tinha como proposta homenagear e discutir o gênero terror, aqui o diretor e roteiristas optaram por se distanciarem do gênero terror e dialogam muito mais com a comédia, o que é excelente.

Como escrevi na introdução, apesar de poder ser classificado como bobo, existe diversos outros lados que o filme trabalha com inteligência. Primeiro é o clima proporcionado que nos remete diretamente aos anos 80, onde a maioria dos filmes eram pautados em acompanhar as aventuras de um grupo de amigos, ainda há o brinde, para os amantes do terror, de verdadeiras referências, principalmente aos slasher movies que ficaram muito famosos nos anos 70 por conta de uma série de fatores sociais, principalmente as mudanças dos jovens e a liberdade sexual.

Em parte o filme funciona pelo carisma da Taissa Farmiga, sua personagem e o relacionamento com a mãe que, por diversas vezes, se confunde com a personagem do filme, até atingir de algum modo a união entre realidade e ficção. Mesmo que o final do filme destoe bastante do seu desenvolvimento e a protagonista evolua de modo insano, saltando de boa e inocente moça para quase uma lutadora de Kung-Fu, o filme desde o início tem a pretensão de ser simples e, dentro dos seus limites, se desenvolve de maneira bem agradável.

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No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

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Across The River, 2014

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★★★★

A história de “Across The River” é muito simples: Gira em torno de um etólogo que trabalha capturando e implantando câmeras nos animais em uma floresta. As gravações acabam o levando para uma aldeia abandonada no centro da floresta. Ele fica preso nessa aldeia por conta de uma forte chuva, e ao longo do filme é explicado que esse lugar é amaldiçoado.

Maravilhoso é continuar percebendo o quão poderoso é o gênero terror e o quanto ele pode mexer com o psicológico do espectador, atraindo a atenção, curiosidade e provocando o medo, empatia ou pavor.

“Across The River” é um pequeno filme Italiano, o tamanho refere-se ao quanto é conhecido, pois a grandiosidade dele é tamanha que pode figurar, sem dúvida, em muitas listas de melhores filmes do recente cinema de terror italiano. O diretor Lorenzo Bianchini – que sabe desenvolver boas histórias em florestas assombradas, vide o curta “Paura dentro” de 1997 – é maravilhoso na criação da tensão, através de elementos naturais como o ambiente, animais, ruídos/silêncios, enfim, diversos outros detalhes.

A inteligência em trabalhar com apenas um personagem durante toda a obra é sublime, ainda é interessante notar que mesmo que a floresta consuma o protagonista, a expressão segura e corajosa que o ator Renzo Gariup imprime em seu personagem conforta o espectador. No mesmo tempo, a mesma coragem que suaviza a tensão provocada pelo silêncio, no início da obra, funciona como uma espécie de barreira, pois quando o protagonista começa a temer e ter expressões de medo, o espectador automaticamente já se sente muito apavorado.

Como não há diálogos, o filme é quase todo construído com pequenos movimentos – seja da câmera ou do personagem – e expressões, auxiliados pela densa trilha e efeitos pontuais. A fotografia prioriza e dá um grande destaque para a paisagem, como se ela fosse um palco de eventos paranormais e que os animais conhecem muito bem. O fato do protagonista ser um caçador é curioso, visto que ele desde o começo enxerga a floresta “através dos olhos dos animais” e, no final do filme, a câmera subjetiva dá o sentido de inversão, como se ele tivesse se transformado no animal, o caçador vira a caça.

A arma também está sempre presente, todas as vezes que o personagem está intrigado com algum barulho ele persegue os ruídos com uma arma, cautelosamente. A única vez que ele a perde, no final do filme, é também a primeira vez que ele corre, a mensagem de fragilidade é clara.

Para quem está acostumado com provocações fáceis de pequenos e inúteis sustos, através de efeitos sonoros, pode estranhar muito “Across The River”. O filme nos convida a ter uma experiência catártica, nos entregaremos por completo e o serviço será feito. Uma história simples e muito bem explorada, todos os elementos e truques voltados para o mesmo objetivo e com pouco, muito pouco, Lorenzo Bianchini consegue fazer um milagre. Ele acredita e confia na sua obra e em como está sendo desenvolvido. Resta-nos contemplar e agradecer uma obra de arte tão consciente e obscura.

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CdA #61 – Adaptações cinematográficas de livros

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No episódio número #61 do podcast [Cronologia do Acaso] Emerson Teixeira recebe Cliff Rodrigo Jucimara Pauda – do canal Livro sem frescura – para uma discussão sobre livros e suas respectivas adaptações cinematográficas. O que é necessário para realizar uma boa adaptação? Harry Potter mudou a forma que os jovens veem os livros? Tudo isso e muito mais nesse episódio especial.

O filme mais antigo, registrado como uma adaptação de um livro é o “Sherlock Holmes Baffled”. O curta foi feito em 1900 e descoberto em 1903. Em 1903 tem também a adaptação de “Alice no País das Maravilhas”, super produzido para a época e resgata com perfeição a surrealidade proposta no livro por Lewis Carroll.

 

Lista de filmes/livros citados durante o podcast:

  • Lolita
  • Sherlock Holmes
  • Le voyage dans la Lune, 1902
  • Alice no País das Maravilhas
  • Harry Potter
  • As Vantagens de ser Invisível, 2012
  • Policarpo Quaresma, Herói do Brasil, 1998
  • O Poderoso Chefão, 1972
  • Psicose, 1960
  • Neco z Alenky, 1988
  • Coraline, 2009
  • Caos Calmo, 2008
  • Sandman
  • Superman
  • Memórias Póstumas, 2001
  • 1984
  • Um Sonho de Liberdade, 1994
  • O Senhor dos Anéis
  • Sobre Meninos e Lobos
  • Onde Vivem os Monstros
  • Carrie – A Estranha
  • O Exorcista
  • Horror em Amityville
  • Vingador do Futuro
  • V de Vingança
  • Os Delírios de Consumo de Becky Bloom
  • Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres
  • Ratos e Homens
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CdA #60 – Spin-offs, Invocação do Mal 2 e Demon

CdA #60 - Spin-offs, Invocação do Mal 2 e Demon

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No episódio #60 do podcast [Cronologia do Acaso] lançamos um novo formato, CronoNews será dividido em dois blocos: o primeiro comentaremos as principais notícias, envolvendo o cinema, da semana e no segundo analisaremos algum filme em cartaz nas salas de cinema ou indicações diversas como livros, quadrinhos, jogos etc.

Nesse primeiro episódio do formato CronoNews, Emerson Teixeira Rafa Tanaka falam sobre a possibilidade de haver um spin-off da criatura maligna do “Invocação do Mal 2”, a possibilidade de um filme do Deadpool junto com o Mercúrio e o possível protagonismo da Arlequina em Esquadrão Suicida. Além disso, você ouvirá um breve comentário sobre o filme “Invocação do Mal 2”, em cartaz no cinema, e a recomendação de um terror polonês chamado “Demon”, lançado em 2016.

Links:

Crítica do filme “Demon”: http://cronologiadoacaso.com.br/2016/06/17/demon-2016/
Crítica do filme “Invocação do Mal 2”: http://cronologiadoacaso.com.br/2016/06/13/invocacao-do-mal-2-2016/
Site do Rafa Tanaka: http://humanoides.com.br/

Banda que recomendamos nesse episódio: The Seekers.

The Seekers – I’ll never find another you
 The Seekers – Blowin` In the Wind
The Seekers – This Land Is Your Land

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Demon, 2016

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★★★★

O diretor Marcin Wrona foi encontrado morto em um quarto de hotel pela sua recém-esposa Olga Syzmanska. A causa da morte foi suicídio por enforcamento, o seu terceiro filme “Demon”, uma co-produção polonesa-israelense, era exibido em um festival de cinema. Os produtores do festival deixaram claro os seus sentimentos para toda a família e ainda pediram para o público não especular sobre as possíveis causas da morte, afinal, esse trágico fato despertou um mal estar muito grande, principalmente pelo tema do seu mais recente e, infelizmente, último filme.

O fim trágico do jovem diretor – ele tinha apenas 42 anos – se mistura com a trama do filme e, sem dúvida, desperta muita curiosidade em quem assiste. É inerente a sensação mórbida tanto pela obra em si, que teima constantemente em relacionar-se com uma atmosfera obscura, quanto com a fatalidade dos bastidores. Por diversas vezes me peguei chocado e pensando seriamente que a densidade e a forma que ela é trabalhada no filme, fez jus com o psicológico do diretor no momento em que dirigia.

Saindo do campo da especulação e analisando a obra, temos uma história curiosa: Um homem chamado Pyton volta da Inglaterra para se casar com a sua noiva Zaneta. Dias antes do casamento ele encontra, enterrado, diversos objetos que parecem ser amaldiçoados. Durante o casamento, finalmente, o noivo vai tendo alucinações e tendo mudanças drásticas de comportamento, ele começa a ser possuído por um espírito.

Vale ressaltar, antes de mais nada, que o filme segue preceitos judaicos, em específico uma lenda sobre “dybbuk” que seriam, a grosso modo, almas que fogem do inferno para possuir uma pessoa e, assim, finalizar alguma tarefa que ficou pendente em uma outra vida. Por se tratar de uma perspectiva diferente e uma outra cultura, já nos aproxima bastante da estranheza. A forma que a possessão é desenvolvida se distancia bastante das diversas produções populares que lidam com um demônio, ao mesmo tempo o terror no filme em questão é trabalhado de forma completamente diferente, pautando-se mais nas sensações e densidade do que no medo ou susto, conseguindo ser muito mais eficiente por sinal.

Logo nas primeiras cenas temos contato com a trilha sonora tétrica e ela se estende durante todo o filme, mesmo que apareça em momentos oportunos. Além disso a fotografia amarelada também ajuda a compor o ambiente de forma confusa e isso vai ser ainda mais perceptível durante a festa de casamento. É de se louvar o fato de que tanto a fotografia e trilha estão sempre à favor do seu protagonista, Pyton, interpretado de forma brilhante por Itay Tiran, o ator parece se explorar ao máximo para compor o seu personagem, transitando por entre várias personagens, até culminar em uma mudança total, o uso do corpo e expressões pontuais precisam ser observadas com carinho.

Na cena que ele desenterra alguns objetos na terra é possível perceber que a posição da câmera faz questão de ocultar o protagonista atrás de uma máquina, fotograficamente isso ajuda na ideia de que o personagem está enclausurado ou se afastando aos poucos. Logo em seguida, em uma ilusão, o personagem tem uma alucinação onde é engolido pela terra, demonstrando nesse momento o que viria a sentir durante a festa do casamento.

O casamento, geralmente, representa a transição. É o ritual de união e que simboliza a felicidade, portanto acompanhar o comportamento do noivo é extremamente constrangedor. O espectador tem consciência que algo muito errado está acontecendo e o filme sabe disso e provoca da maneira mais inusitada: com o humor. Através do humor negro, adentramos dois mundos, um é da alegria e organização da festa, a outra é a desordem psicológica do protagonista. É engraçado perceber que o fio condutor dessa ideia passa a ser a noiva que, primeiramente está do lado da felicidade e, quando começa a tomar consciência dos fatos, embarca junto com quem assiste na obscuridade. Além disso, o fato de haver pouco ceticismo no filme proíbe de imaginarmos que se trata de um problema psicológico, mesmo que a própria obra ainda tente colocar a questão sugerindo, também, que o noivo pode ter ficado diferente por alguma droga.

“Demon” se mantém fiel a possessão e trabalha com maturidade, concluindo com perfeição aquilo que planejou desde o início. O terceiro ato perde um pouco de força no que diz respeito à atmosfera, mas isso de forma alguma apaga o seu brilhantismo. O que faz com que lamentemos ainda mais a morte do jovem diretor Marcin Wrona, que prometia bastante. Resta-nos assistir esse filme e agradecer pela ótima obra que ele nos deixou como testamento.

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Invocação do Mal 2, 2016

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★★★★★

Muito antes de assistir “Invocação do Mal 2” eu já conhecia a história real que o filme se baseou. Isso poderia desviar a minha atenção e me motivar a encontrar as diferenças e referências aos supostos acontecimentos reais, ou até mesmo questionar a grande participação de Ed e Lorraine Warren, quando na história real o envolvimento de ambos foi quase nulo. Mas tudo isso não aconteceu e o motivo é muito simples: James Wan.

Não preciso ressaltar novamente a qualidade do diretor pois já fiz isso na minha crítica sobre o primeiro “Invocação do Mal” ( clique aqui para ler ) mas não consigo assistir os seus filmes e ignorar a sua capacidade de criar monstros e, ainda mais, levar a tensão aos limites máximos. Tem uma série de eventos na obra que se aproximam bastante do suposto caso real, mas o excelente é os diversos contornos na narrativa que o diretor cria para a história ser o mais crível possível.

A história acontece após sete anos dos acontecimentos do primeiro filme, Lorraine (Vera Farmiga) e Ed Warren (Patrick Wilson) continuam suas investigações paranormais e são chamados para ajudar uma família na Inglaterra que estão sendo atacadas por um poltergeist.

Baseado no caso “Enfield Poltergeist”, é curioso notar que se trata do evento paranormal mais registrado da história – inclusive os mesmos registros podem sabotar a veracidade dos fatos – e isso é bem interessante pois o filme ainda faz diversas referências à captura, como um momento em que Ed Warren faz uma piada sobre o tamanho e peso de uma câmera.

Vera Farmiga e Patrick Wilson, novamente, ganham a atenção do espectador de forma crucial para o envolvimento dramático, os dois atores possuem uma sintonia maravilhosa e é perceptível o carinho que eles têm pelos seus personagens, sem contar que são grandes atores e conseguem transmitir, através de pequenas expressões, todas as angústias que os cercam apesar de serem muito queridos e vistos como super heróis por muitos.

Como um típico filme de jumpscares, “Invocação do Mal 2” não é comum na construção desses sustos, todos acontecem das formas mais criativas possíveis, isso levando em conta que a história se desenvolve em uma casa assombrada, com sobrado e todos os clichês que têm direito. A fotografia continua maravilhosa e dita o tom melancólico da obra. Essa melancolia é importante pois, talvez, a personagem Janet Hodgson seja uma das crianças que mais sofrem por uma manifestação demoníaca na história do cinema desde “O Exorcista”, de 1973. A carga emocional da menina é tão grande que a empatia pelo seu sofrimento e desespero é inerente, até o espectador mais cético consegue facilmente embarcar no medo da Janet e acreditar que tudo é real.

A maior força do filme é a garota e, sem dúvida, isso se deve a atuação esplêndida da atriz Madison Wolfe. A força e presença dela é imbatível, com um carisma e talento imenso, ela chama toda a responsabilidade do filme para si e se sai surpreendentemente bem.

A fotografia, obscuridade e trilha apavorante passeiam por toda a obra e dão espaço, uma vez ou outra, para cenas belíssimas, como por exemplo Ed Warren cantando “Can’t Help Falling In Love“, simplesmente uma das músicas mais lindas do Elvis Presley. Essa música não tem, aparentemente, nada a ver com o contexto da cena em questão, mas o diretor trabalhou tão bem os seus personagens até esse momento, que é fácil se deixar levar, quase como se fosse uma forma de descarregar toda a tensão e nos fazer sorrir. Se no primeiro “Invocação…” eu citei a quebra do roteiro para fazer piadas, no segundo ato, como um problema muito grande, aqui existe também, mas a forma que é usada é magnífica.

Aliás, as músicas utilizadas são um show à parte. Abre com “London Calling” e toca “I Started a Joke” em um momento extremamente importante, onde a música ajuda ainda mais a entender o arco dramático da protagonista.

O filme é tão sincero e trabalha tão bem tudo o que se propõe, que é impossível não se envolver. O único problema, ao meu ver, é quando, no final, os acontecimentos se resolvem bem depressa e a tensão muda de objetivo e se sustenta em uma preocupação, mas isso não importa. James Wan confia no seu trabalho e o espectador sente isso, quando, no final do filme, Janet Hodgson cita Ed e Lorraine Warren como sendo os seus anjos da guarda, nós sentimos a mesma coisa e queremos mais aventuras desses dois personagens tão interessantes.

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CdA #59 – Desconstruindo o gênero romance

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No episódio #59 do podcast [Cronologia do Acaso] Emerson Teixeira convidou Tiago Messias e Tiago Lira para conversar sobre o gênero romance e, principalmente, citar alguns filmes que trabalham com o tema “amor” de forma interessante.
Como bônus ainda temos uma rápida participação do André Albertim, indicando três filmes via Whattsapp.

Obs: Por conta de um erro de captação, em alguns momentos o áudio trava, mas nada que compromete o conteúdo do episódio.

Site do Tiago Messias: https://altverso.wordpress.com/

Site do Tiago Lira: http://umtigrenocinema.com/

Alguns filmes citados durante o podcast:

  •  Edward Mãos de Tesoura, 1990
  • Antes do Amanhecer, 1995
  • Antes do Pôr-do-Sol, 2004
  • Antes da Meia-noite, 2013
  • Brokeback Mountain, 2005
  • As Amizades Particulares, 1964
  • Sim ou Não, 2010
  • Chasing Amy, 1997
  • Bridegroom, 2013
  • Apenas uma Vez, 2006
  • Mundo Cão, 2014
  • O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, 2001
  • Jules e Jim, 1962
  • Sonhando Acordado, 2007
  • 500 dias com ela, 2009
  • Ruby Sparks, 2012
  • Amour, 2012
  • Farrapo Humano, 1945
  • Encontros e Desencontros, 2003
  • Wall-E, 2008
  • Brilho Eterno de Uma Mente sem Lembranças, 2004
  • Garota Ideal, 2007
  • Juno, 2007
  • Meia Noite em Paris, 2011
  • Bonequinha de Luxo, 1961
  • Se o Meu Apartamento Falasse, 1960
  • Espuma dos Dias, 2013
  • Ensina-me a Viver, 1971
  • Copenhagen, 2014
  • Helpless, 2012
  • Manhattan, 1979
  • Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, 1979
  • I’m a Cyborg, But That’s Ok, 2006
  • O Profissional
  • Bonnie and Clyde, 1967
  • Sabrina, 1995
  • E-mail: contato@cronologiadoacaso.com.br
  • Twitter: @cronodoacaso
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  • Itunes: https://itunes.apple.com/br/podcast/cronologia-do-acaso/id1076216544

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Invocação do Mal, 2013

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★★★★

Colocar o diretor James Wan como um dos grandes nomes do gênero terror atual é recorrente. Ele parece ter entrado para o cinema com uma fonte inesgotável de ideias, reuniu diversos clichês e seguiu uma linha de trabalho onde consegue abusar de todos os elementos já vistos no cinema, mas ainda assim consegue extrair algo novo, de fato ele é um verdadeiro oportunista, conseguiu construir uma fórmula para provocar o medo e o faz com tamanha naturalidade que nem ao menos parece um truque.

A sua maior força está na maturidade e direcionamento, Wan sabe lidar maravilhosamente bem com a sugestão. Em um das principais cenas de “Invocação do Mal”, uma das irmãs olha assustada para a porta do seu quarto, no escuro, a menina afirma que tem alguém olhando para ela, mas o espectador, assim como uma personagem que está no quarto, não vê absolutamente nada. Existe, nessa cena, o ápice da sugestão, o diretor parece sorrir e gozar do seu artifício e a forma que utiliza com maestria. Isso não é inédito no cinema, mas por incrível que pareça o gênero terror parece que se esqueceu, com o tempo, que mostrar os monstros toda hora nem sempre é a melhor maneira de provocar a tensão.

É só pensar em filmes como “O Bebê de Rosemary”, dirigido por Roman Polanski e “O Exorcista” do William Friedkin, os realizadores tem em comum a inteligência em mostrar pouco e, quando o faz, é em doses extremamente inteligentes. Existe um equilíbrio, pois o ser humano precisa disso. Em um quarto escuro pode existir qualquer coisa, até que se acenda a luz.

“Invocação do Mal” foi baseado em uma das histórias do casal Ed e Lorraine Warren que são investigadores de casos paranormais. Nessa história, em específico, um casal (Ron Livinston e Lili Taylor) se muda para uma casa antiga e grande com as suas cinco filhas. Pequenos eventos vão acontecendo, até que chega um momento onde todos definitivamente acreditam que algo sobrenatural está acontecendo, eles então recorrem à ajuda dos Warren.

Logo no início do filme somos apresentados à Ed e Lorraine Warren, eles estão dando uma palestra que inclui uma história sobre a boneca Annabelle – mais um evento verdadeiro e que, através do filme, atingiu um patamar muito grande de popularidade, tendo sido feito, inclusive, um filme somente sobre ela – e com a ajuda da trilha sonora, é um excelente convite ao espectador.

A partir daí temos a apresentação comum da casa antiga e enorme, um casal feliz com a mudança e crianças brincando e pulando sobre as mudanças. O incrível é a forma que é conduzido, os eventos acontecem rápido, mas são bem orquestrados, é mostrado o suficiente para provocar o medo mas não o bastante para enjoar. Existe um poder grande de utilizar algumas atitudes cotidianas, por exemplo as brincadeiras das meninas, como forma de demonstrar o quão fragilizados se encontram os personagens, assim como o fato de ter muitas meninas também soa interessante, pois quando começa a acontecer os eventos sobrenaturais cada uma sente de uma forma diferente, uma é sonâmbula, a outra é puxada pelo pé constantemente, a menor brinca com uma caixinha cujo espelho reflete um espírito, enfim, é uma forma eficaz de exigir uma atenção maior em quem assiste.

Fotograficamente o filme é muito poderoso, ambienta-nos no estranho e com a ajuda da trilha sonora agressiva, nos conduz ainda mais em direção ao medo. Se a sugestão até a metade do filme foi trabalhado exaustivamente, do segundo para o terceiro ato não se pode dizer o mesmo. Visivelmente a inserção de piadas e os aparelhos eletrônicos para a captação de fantasmas tiram um pouco o foco do realismo, o clima sombrio passa a ser colorido e perde temporariamente a força, – apesar que é normal, pois seria impossível sustentar uma hora e cinquenta minutos de sustos – recuperando somente nos minutos finais.

“Invocação do Mal” chegou aos cinemas para assustar e, apesar de não figurar na lista dos “melhores filmes de terror de todos os tempos” – algo que nunca pretendeu, inclusive – consegue se sair muito bem e faz jus a sua proposta. Agora é esperar pelas continuações para vermos quais outras aventuras Ed e Lorraine Warren se meteram na vida.

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No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

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Indicação de filmes – O olhar das crianças sobre o mundo que as cercam

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We are the world, we are the children/ Nós somos o mundo, nós somos as crianças

Quem são as crianças? Os adultos crescem e, erroneamente, aceitam o fato de que se tornam mais distantes da imaginação. O ser humano é o único animal capaz de sorrir e talvez o mais genuíno sorriso seja o da criança.

No cinema, diversos temas já foram trabalhados sob a perspectiva das crianças e, quando bem explorado, é sempre muito interessante acompanhar essas histórias. É possível transformar coisas simples em mágicas, simplesmente por ser possível utilizar a inocência como forma de desenvolver determinada história, mesmo que seja repleta de medos e dores.

As crianças estão no cinema desde o seu início, quem não se lembra, por exemplo, do menininho do filme “O Garoto”, do Charles Chaplin? Esse é um ótimo exemplo pois se trata de uma transição, Chaplin passou a construir histórias pautadas na drama e comédia e a sua ousadia atingiu o limite, passou a dizer coisas horríveis sorrindo, de forma a amenizar os sofrimentos do mundo e, ainda assim, alertar à todos.

Essa é a primeira parte de uma postagem, onde irei recomendar alguns filmes que são desenvolvidos sob a perspectiva de uma criança. Ela pode ser protagonista ou não, mas certamente terá um papel crucial na história. Dei um maior destaque para obras pouco conhecidas, pois esse é o perfil do Cronologia do Acaso. Obs: As obras não estão em ordem de preferência, isso certamente seria um erro, pois todos atingem uma qualidade incrível.

1- Hugo och Josefin ( 1967 ), Suécia

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A Suécia é o segundo cinema, ao meu ver, que melhor trabalhou/trabalha com as crianças. O primeiro é certamente o cinema iraniano. Mas, enfim, o primeiro filme dessa lista se chama “Hugo och Josefin” que, basicamente, conta a história de Hugo e Josefin, duas crianças solitárias, que decidem virar amigos e andam pelas ruas da vida se divertindo e se conhecendo, de forma muito minimalista somos apresentados há alguns dramas pessoais deles, mas tudo isso é em segundo plano. O que realmente importa é o amor que existe ali.

Sem dúvida é um dos filmes mais carinhosos que eu já vi, me peguei chorando por diversas vezes, principalmente quando eles encontram um adulto e ele, extremamente inocente, ensina para os pequenos amigos alguns valores. Esse filme tem uma das risadas mais lindas da história do cinema, a protagonista dessa cena é Marie Öhman. O diretor captou um momento verdadeiro, onde a menina está comendo e se diverte – de verdade – pois não consegue engolir um ovo. O diretor teve tanta sensibilidade, que continuou filmando e registrou o momento onde todos os atores, incluindo a Marie, dão muitas risadas com a reação da menina. Um verdadeiro momento inesquecível da história do cinema.

2- Oshin ( 2013 ), Japão

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“Oshin”, dirigido pelo Shin Togashi, é um dos filmes que eu mais chorei na minha vida. E ele foi feito para mexer com o psicológico da humanidade. A protagonista, Oshin, é enviada para trabalhar em outra família, pois a sua está passando por sérios problemas financeiros.

O que mais encanta nesse filme é a protagonista, dona de uma maturidade sem fim, ela aceita a sua condição, mas sofre silenciosamente. E só demonstra ser criança em cenas bem singelas, é de uma força esse filme que beira o inacreditável. Recomendado para todas as mulheres, pois é uma verdadeira homenagem à elas, triste é pensar que essa é uma história que foi vivida por inúmeras crianças.

Kokone Hamada é a atriz protagonista e ela é um absurdo. Quando eu escrevi sobre o filme a coloquei como uma das maiores promessas do cinema mundial, tomara que eu esteja certo e apareça outras oportunidades, porque o que ela faz é impressionante.

3 – Corpo Celeste ( 2012 ), Itália

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Dirigido pela queridíssima Alice Rohrwacher, esse filme foi selecionado para a quinzena dos realizadores no festival de Cannes em 2011. A história concentra-se em uma menina chamada Marta, de 13 anos, que se vê sufocada pela religião e passa a questionar a sua liberdade.

Esse é o típico filme poderoso, pois aborda tanto a liberdade da mulher, como também um desprendimento religioso, imposto pela família. Em uma cena crucial, Marta está fazendo crisma e tem os seus olhos vedados, representando a sua situação, cega diante a uma infinidade de possibilidades. Interessante é que depois que ela corta o cabelo, a sua postura muda completamente. Ela passa a se enxergar como uma mulher livre e vai de encontro com um amadurecimento provindo do incomodo e ousadia para livrar-se do comum.

4 – Garoto-Estilingue ( 1960 ), Tchecoslováquia

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Esse é dirigido por um dos melhores diretores tchecos de todos os tempos, chamado Karel Kachyna. “Garoto-Estilingue” é um dos seus primeiros longas, anos depois viria a fazer outra preciosidade chamada “The High Wall”. Inclusive escrevi uma crítica sobre esse filme e é uma das que eu mais me orgulho de ter feito, você pode conferir clicando aqui.

Garoto-Estilingue” conta a história de um garoto que é salvo de um campo de concentração e levado pelo exército tcheco. Lá ele se torna uma espécie de mascote, todos o tratam com muito carinho, e o garoto começa a se sentir como parte de uma grande família. No mesmo tempo tenta mostrar a sua força e se diz pronto para entrar na guerra com os amigos. O garoto-estilingue da tradução ou prace no original faz referência aos garotos tchecos que lutavam com estilingues na guerra.

Esse é super esquecido e é um dos melhores que eu já assisti na minha vida. É difícil encontrar bons filmes sobre a guerra e esse sem dúvida é um dos melhores. O menino protagonista é muito carismático e o espectador sente todos os seus dramas. Outro ponto interessante é acompanhar o exército que, mesmo em meio a guerra, encontra no menino uma fuga para a inocência, eles o tratam como filho, como se fosse uma possibilidade real de voltar para a casa.

5 – Doro no Kawa ( 1981 ), Japão

Mais um filme japonês, esse é o primeiro do diretor Kôhei Oguri. É um filme super sensível sobre a amizade de dois garotos pós-guerra.

É mais um que usa bem a guerra para contextualizar os dramas dos seus personagens, com destaque para todo o elenco infantil que interpretam com o coração, doam tudo o que sabem e constroem algo lindo e emocionante de se ver.

Alguns temas como abandono e dificuldades financeiras são trabalhados de forma muito minimalista, chega a doer tamanho carinho e dedicação. Esse é um outro tesouro perdido que, sem dúvida, emocionará muitos com a sua profundidade e simplicidade.

6 – Uma Vida Nova em Folha ( 2009 ), Coréia do Sul

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Particularmente eu tenho um carinho muito grande com esse filme. Foi o primeiro do cinema sul coreano que eu assisti na vida. Lembro-me que era apenas um adolescente e conheci esse cinema maravilhoso, repleto de sensibilidade. A diretora Ounie Lecomte simplesmente marcou a minha vida, eu assisti esse filme há muito tempo e ainda me lembro de todas as cenas como se tivesse assistido ontem.

A história é sobre uma menina chamada Jin-hee, de 9 anos, que é levada pelo pai à um orfanato, então passamos a acompanhar a menina e a sua dificuldade em aceitar a nova vida, talvez a palavra “aceitação” é a mais trabalhada durante toda a obra.

Destaque para a atuação da Sae-ron Kim que, hoje, tem quinze anos e é muito popular na Coréia do Sul. Ela é um verdadeiro talento e merece todas as coisas boas nesse mundo, a acompanho desde novinha e é sempre um prazer perceber o quanto é talentosa.

Destaque para uma cena onde a protagonista, cansada da sua “nova vida”, cava um buraco e joga terra por cima. Como se estivesse gritando para o mundo que não quer mais pertencer a ele. O filme é extremamente silencioso mas, através do silêncio, machuca muito.

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Bem, essa é a primeira parte, eu vou retomar a lista na semana que vem. Espero que tenham gostado e convido à todos a deixarem nos comentários as suas recomendações. Abraço amigos!

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